Idade Média * Glória da Idade Média: simbolismo
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domingo, 15 de julho de 2018

O simbolismo do leão: Jesus Cristo;
e da leoa: Nossa Senhora (2)

Cristo é o Leão de Judá. Cristo em Majestade no Juízo Final.
Beato Angélico (1395 – 1455). Catedral de Orvieto, Itália
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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continuação do post anterior: O simbolismo do leão: Jesus Cristo; e da leoa: Nossa Senhora (2)



O demônio enganou o homem; Deus venceu o homem, que não o reconheceu, e depois ao diabo, mediante sua adequada virtude.

Se o demônio tivesse sabido que aquele homem mortal era Deus, não o havia conduzido à crucificação.

Assim Deus obrou habilmente, sem que o demônio se dessa conta; Deus se ocultou de nosso inimigo, que não soube que Deus era aquele homem até que o comprovou.

Deus se ocultou tanto que os anjos do céu que estavam no Paraíso não o reconheceram.

Por isso, quando voltou o Filho de Deus em majestade para o lugar de onde havia partido quando se encarnou por nós, perguntaram aos anjos que estavam com ele:

domingo, 1 de julho de 2018

O simbolismo do leão: Jesus Cristo; e da leoa: Nossa Senhora (1)

Leão na catedral de Sessa, Itália
Luis Dufaur
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No site do prof. Ricardo da Costa, Professor Associado I de História e Filosofia Medieval da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e membro de numerosas academias, o leitor encontra artigos e documentos de grande valor para o conhecimento da Idade Média.

Os medievais tinham uma visão ao mesmo tempo muito prática e altamente simbólica da realidade. Eles partiam da observação material e se elevavam facilmente até as culminâncias da metafísica e da teologia como quem sobe e desce pelas ladeiras de uma colina florida.

Eis um exemplo tirado pelo prof. Costa de um Bestiário medieval. Os Bestiários são livros típicos da era medieval que alimentavam essa contemplação da ordem natural.

O exemplo expõe o simbolismo do leão e os ensinamentos que Deus pôs nesse animal visando a elevação do homem até a Sabedoria infinita:

“O que em grego se chama “leão” significa “rei” em francês. O leão, de várias formas, domina muitos animais. Por isso o leão é rei. Escutai agora suas propriedades.

domingo, 9 de julho de 2017

A concepção medieval da arte,
o símbolo e as "Bíblias dos pobres"


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Idade Média concebeu a arte como um ensinamento.

Tudo o que era necessário ao homem conhecer — a História do mundo desde a Criação, os dogmas da Religião, os exemplos dos santos, a hierarquia das virtudes, a variedade das ciências, das artes e das profissões — lhe estava ensinado pelos vitrais da igreja ou pelas estátuas dos pórticos.

A catedral mereceu ser conhecida por este nome tocante: “A Bíblia dos pobres”.

Os simples, os ignorantes, todos aqueles que constituíam “o povo santo de Deus”, aprendiam pelos olhos quase tudo que sabiam de sua Fé.

Aquelas grandes imagens, tão religiosas, pareciam testemunhar a verdade daquilo que a Igreja ensinava.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Visibilidade, hierarquia e simbolismo da igreja

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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As igrejas e catedrais medievais foram construídas nos locais de máxima relevância. Isso lhes conferia um ar triunfante e glorioso.

Mas essa não era a única finalidade, nem a mais importante até. Elas visavam obedecer os conselhos evangélicos.

Para os construtores de igrejas as palavras de Cristo são normativas, diz o arquiteto americano Michel Rose, que estudou a arquitetura eclesiástica modernista no livro "Feia como o Pecado" (Ugly as Sin, Sophia Institute Press, Manchester, NH, 2001).

O Divino Mestre, diz Rose, ensinou no Sermão das Bem-aventuranças: “Não pode se esconder uma cidade que está situada sobre um monte. Nem os que acendem uma luzerna a metem debaixo do alqueire, mas põem-na sobre o candeeiro, a fim de que ela dê luz a todos que estão na casa” (Mt 5, 14-15).

domingo, 2 de outubro de 2016

A sociedade medieval: algo do Céu na Terra

Altar Santo André

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A arquitetura, a arte, o ambiente, a sociedade medieval auxiliam os fiéis a terem, por assim dizer, “saudades” do Céu.

A partir de suas realizações, elas elevam as almas para algo de celestial.

“A Igreja apresentava-se habitualmente com uma aparência de Céu na Terra, de modo tal que a pessoa, ao analisá-la e contemplá-la, sentia-se convidada para ingressar numa espécie de Céu da alma nesta Terra.

“Tudo quanto é medieval, e que se orienta nessa linha — dir-se-ia a nota tônica da Idade Média —, é impregnado disso: uma sociedade que, mesmo em seus aspectos temporais, apresenta algo de celeste na Terra.

domingo, 3 de maio de 2015

Função e simbolismos da música

Partitura iluminada de Iste Sanctus. Music Library MS0797
Partitura iluminada de Iste Sanctus. Music Library MS0797




Os pensadores medievais insistiam em que há dois modos de degustar a música.

Uma é a forma vulgar que fica no sensível, no prazer imediato da orelha afagada pelos sons doces.

A outra forma é intelectual: ela eleva a beleza sonora até o mundo das proporções inteligíveis, até o próprio Deus.

Na primeira forma os compositores se comprazem na simples audição e compõem segundo seu capricho.

Na segunda forma, compõem segundo as regras.

Os primeiros são como bêbados que voltam para casa sem conhecer o caminho.

Os outros são sábios que sabem o que fazem e como o fazem.

Para os sábios, a música é uma atividade intelectual e contemplativa. Ouvindo-a com inteligência penetra-se no mundo dos mistérios sublimes, das regras da harmonia, dos números eternos.

domingo, 21 de setembro de 2014

Símbolos Papais requintados na Idade Média

Anel do Pescador que foi de Bento XVI.
Anel do Pescador que foi de Bento XVI.

No post “Símbolos dos Papas tomaram forma final na Idade Média”, apresentamos a contribuição que a “Doce primavera da Fé” deu para a criação ou definição de certas insígnias dos Papas.

Essas insígnias não correspondem a uma época, mas a todas as épocas e provêm de ensinamentos evangélicos ou da Tradição da Igreja.

Neste post trataremos de outras insígnias e da parte que a Era Medieval teve em sua elaboração.

O Anel do Pescador é dos mais importantes símbolos. Consiste num anel de ouro no qual está gravada a Barca de Pedro, símbolo da Igreja, e em volta, o nome do Papa que o está usando.

A primeira menção documentada ao Anel está contida numa carta do Papa Clemente IV de 1265. Nela, o Pontífice dizia que era costume dos sucessores de Pedro muito anteriores a ele, manter sigilosas suas cartas.

Veja mais em: Símbolos dos Papas que tomaram forma final na Idade Média

domingo, 14 de setembro de 2014

O simbolismo divino na arte e na natureza visto pela Idade Média

Rosácea lateral da catedral de Chartres: resumo da ordem do Universo
Rosácea lateral da catedral de Chartres: resumo da ordem do Universo
com Cristo Rei no centro.



continuação do post anterior: Lendo a ordem sublime de Deus impressa no Universo


A terceira característica da arte medieval reside no fato de que ela é um código simbólico.

Desde o tempo das catacumbas [nos dias da perseguição romana], a arte cristã falava por meio de figuras, ensinando os homens a verem por detrás de uma imagem uma outra coisa superior.

O artista, segundo o imaginavam os Doutores da Igreja, deve imitar a Deus, que sob a letra da Escritura escondeu um profundo significado, e que queria que a natureza também servisse de lição para o homem.

domingo, 7 de setembro de 2014

Lendo a ordem sublime de Deus impressa no Universo

Coroação de Nossa Senhora, fachada da catedral de Reims.
Os anjos fazem de assistentes da cerimônia.
Primeiramente, a Idade Média tinha paixão pela ordem. Os medievais organizaram a arte como tinham organizado o dogma, o aprendizado temporal e a sociedade.

A representação artística de temas sagrados era uma ciência regida por leis fixas, que não podia ser quebrada pelos ditames da imaginação individual.

A arte da Idade Média é uma escritura sagrada, cujos caracteres todo artista deve aprender.

Ele deve saber que a auréola circular colocada por trás da cabeça serve para expressar a santidade, enquanto a aureola com uma cruz é o sinal da divindade e sempre usada para pintar qualquer uma das três Pessoas da Santíssima Trindade.

A segunda característica da iconografia medieval é a obediência às regras de uma espécie de matemática sagrada. Posição, agrupamento, simetria e número são de extraordinária importância.

A simetria era considerada a expressão de uma misteriosa harmonia interior. O artista fazia o paralelismo dos doze Patriarcas e dos doze Profetas da Antiga Lei e dos doze Apóstolos da Nova, e dos quatro principais Profetas com os quatro Evangelistas.

domingo, 24 de agosto de 2014

A última despedida, o luto e os gisantes medievais

Jazigo definitivo de Felipe Pot, senescal e governador da Borgonha  em seu castelo de Châteauneuf-en-Auxois. O grupo original está no Louvre.
Jazigo definitivo de Felipe Pot, senescal e governador da Borgonha
em seu castelo de Châteauneuf-en-Auxois. O grupo original está no Louvre.
Quando um membro da família senhorial vinha a falecer, era exposto na grande sala do castelo, revestido com seus mais belos ornamentos, e, freqüentemente, embalsamado.

O luto era caracterizado pela cor violeta, e mais raramente pelo preto.

Mas a viúva guardava-o habitualmente de branco, à imitação das Rainhas, às quais a etiqueta prescreve esta cor, o que explica às Rainhas-mães o titulo de 'reines-blanches'.

O caixão, recoberto de damasco dourado ou de tecido vermelho, era conduzido à igreja, não sobre os ombros de servidores ou aldeões, mas sobre os dos mais próximos parentes e dos principais vassalos.

domingo, 20 de julho de 2014

Símbolos dos Papas tomaram forma final na Idade Média

Tiara do Beato Pio IX, doada pela Bélgica
A tiara, também conhecida como “triregno” (literalmente tríplice reinado) é a coroa própria dos Papas.

Ela está composta de três coroas e leva no topo um globo com a cruz.

É uma coroa única no mundo. E tomou sua forma praticamente definitiva durante a Idade Média.

Coroas semelhantes à tiara já foram usadas na Antiguidade, inclusive por egípcios, partos, armênios e frigios.

A origem mais remota dela está no Antigo Testamento. Deus disse a Moisés:

“Farás também uma lâmina do mais puro ouro, na qual farás abrir por mão de gravador: ‘Santidade ao Senhor’. E atá-la-ás com uma fita de jacinto e estará sobre a tiara, iminente à testa do pontífice. E Arão levará sobre si. E sempre esta lâmina estará sobre a sua testa para que o Senhor lhe seja propício” (Ex, 28, 36-37).

Aarão, irmão de Moisés é o arquétipo de Sumo Sacerdote e prefigura os Papas instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo na pessoa de São Pedro, e continuado por seus sucessores de Roma.

O Papa Sérgio III (904-911) fez cunhar moedas com a imagem de São Pedro com tiara.

Na basílica inferior de São Clemente, em Roma, um fresco do fim do século XI apresenta o Papa Adriano II (867-872) com a tiara.


Veja mais em: Símbolos papais requintados na Idade Média

domingo, 6 de julho de 2014

O Clero, primeira classe da sociedade medieval

A via da Verdade. Via Veritatis, Andrea da Firenze.
A via da Verdade. Via Veritatis, Andrea da Firenze.
Luis Dufaur
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Na Idade Média a sociedade compunha-se de três classes sociais: o Clero, a nobreza e o povo. O Clero era a primeira classe.

Basicamente, o Clero divide-se em Clero secular e Clero regular. O Clero secular depende diretamente do Bispo e vive em paróquias.

O Clero regular é constituído pelos religiosos que moram em conventos e pertencem às várias ordens e congregações.

domingo, 12 de junho de 2011

Idade Média: ingenuidade ou entendimento superior das coisas?

Luis Dufaur
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O famoso escritor e educador do século XIX Charles de Montalembert, Par da França, deixou luminosas páginas relativas à Idade Média e as deturpações dessa era histórica por parte dos autores liberais com os quais, alias, partilhava muitas idéias. Eis uma dessas páginas, por exemplo:

Na Idade Média os homens de ciência estudavam a natureza com o cuidado escrupuloso que os católicos deveriam colocar no estudo das obras de Deus.

Não faziam dela um corpo sem vida superior, nela procuravam sempre relações misteriosas com os deveres e crenças do homem remido pelo seu Salvador; viam nos costumes dos animais, nos fenômenos das plantas, no canto dos pássaros ou nas propriedades das pedras preciosas, outros tantos símbolos de verdades consagradas pela fé.

As pedantes nomenclaturas não tinham ainda invadido e conspurcado o mundo reconquistado para o Verdadeiro Deus pela Igreja.

Ia-se, na noite de Natal, anunciar às árvores das florestas a chegada do Salvador. “Aperiatur terra et germinet Salvatorem”. A terra, em retribuição deveria produzir rosas onde o homem derramasse sangue, e lírio onde caíssem lágrimas...

Quando morria uma santa, as flores das redondezas viam-se na obrigação de murcharem todas, ou a menos inclinarem-se quando da passagem do féretro.

Quando à noite o pobre elevava os olhos para o céu, não era a via-láctea de Juno que ele via, mas o caminho que guiava os seus irmãos peregrinos a Compostela, ou o caminho que os bem-aventurados tomavam para ir ao Céu...

As flores, estas, sobretudo, ofereciam um mundo povoado das mais encantadoras imagens, numa linguagem muda que exprimia os mais ternos e vivos sentimentos.

O povo católico, em combinação com os doutores, dava a esses doces objetos de sua atenção quotidiana os nomes dos entes queridos, isto é, dos apóstolos, dos santos favoritos, das santas cuja inocência e pureza pareciam refletir-se na beleza pura das flores.

Maria Santíssima, essa Flor das flores, essa Rosa sem espinho, esse Lírio sem mancha, tinha uma incontável legião de flores embelezadas e encarecidas aos olhos do povo por seu doce nome.

Era como se fossem relíquias suas, esparsas por toda parte, e sempre renovadas.

Os grandes sábios de nossos dias preferiram substituir à sua lembrança a de Venus.

Citemos apenas um exemplo do grosseiro materialismo que caracteriza as nomenclaturas de hoje: Quem não conhece a encantadora florzinha, conhecida geralmente na França, por “olhos da Santa Virgem”?

O pedantismo moderno preferiu substituir essa expressão por “Myosotis scorpioides”, que ao pé da letra significa “orelha de rato com ar de escorpião”. Eis o que se chama progresso científico!

(Fonte: Charles Forbes René, conde de Montalembert (18.3.1810 Londres ‒ 13.3.1870 Paris), “Introduction à l'histoire de Sainte Elisabeth de Hongrie”, Pierre Téquin, libraire, editeur, 27ª edição, 1922, Tomo I, pág. 156).



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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Significado do sorriso por trás da força das colunas góticas

As colunas góticas encerram muitos ensinamentos da sabedoria católica medieval. Suas colunas são fortes, quase esmagadoras. Mas, sorriem para quem sabe olhá-las. Por quê?

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quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Idade Média: floresta repleta de símbolos


Para a Idade Média o universo era um livro imenso, escrito pela própria mão de Deus, onde cada ser era uma palavra cheia de significado.

Para o medieval o ignorante apenas olha e vê figuras para se instruir. O sábio se eleva das coisas visíveis às invisíveis. Na natureza ele lê o pensamento de Deus.

A ciência não consistia então em estudar as coisas em si mesmas, mas em penetrar os ensinamentos que Deus nelas pôs para nós homens.


Era assim que o medieval caminhava, numa floresta repleta de símbolos, sob um céu povoado de idéias, iluminado pela luz de Cristo, abençoado pela sua graça, sob o manto maternal da Virgem Mãe de Deus.

Veja exemplos:


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domingo, 5 de agosto de 2007

Arquiteto americano elogia Notre Dame de Paris, jóia da Idade Média


No best-seller Ugly as Sin — Feias como o pecado — Michael S. Rose, jovem arquiteto americano, doutor em Belas Artes pela Brown University (EUA) apresenta a catedral Notre Dame de Paris como a jóia-da-coroa da Cidade Luz, o verdadeiro epicentro, a alma da capital francesa.
Solene e maternal, ela irradia sua influência a partir da Île de la Cité, como uma grande dama a partir do palácio, no centro do seu feudo.

Ela é a representação do Cristianismo na sua totalidade: desde o império universal de Nosso Senhor Jesus Cristo até os sofrimentos dos precitos no inferno.
Nela, o peregrino percebe a luta entre o bem e o mal, entre o sagrado e o profano, entre o eterno e o passageiro.
Notre Dame, insiste Michel Rose, é arte no sentido mais nobre do termo, é arquitetura da mais alta classe, um “lugar sagrado” que espelha as realidades eternas. Ela é, antes de tudo, a casa onde Deus habita na Terra. Assim a Idade Média via Deus.

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Simbolismo medieval da nave: Arca da Salvação, maternidade da Igreja


O nártex (vestíbulo sob o coro) é o primeiro espaço sagrado da casa de Deus. Também é conhecido como galilé, porque dali parte a procissão que, no início da Missa, dirige-se até o altar, simbolizando a jornada de Cristo desde a Galiléia até Jerusalém, rumo ao sacrifício do Calvário.
No nártex, a água benta lembra o batismo, a necessidade do perdão dos pecados, e tem efeito exorcístico sobre o demônio e as tentações.
A nave encarna a “Arca de Salvação”. A Igreja, Ela própria, é essa arca, a Barca de Pedro. Simboliza também o seio materno, pois a Igreja gera as almas para o Céu.

Ela é ainda imagem do Corpo Místico de Cristo posto a serviço de sua cabeça: Deus Nosso Senhor. Um famoso diagrama da Idade Média coloca o Crucificado sobre a planta de uma igreja típica. Sua divina cabeça repousa no presbitério, os braços no transepto, o corpo e as pernas na nave. As colunas da nave representam os Apóstolos, e as colunas do cruzeiro simbolizam os quatro Evangelhos.

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sábado, 4 de agosto de 2007

Idade Média: igrejas que eram Evangelhos de pedra



A fachada é o rosto da igreja. Ela evangeliza, ensina, catequiza.
Na Idade Média, bastava ao catequista explicar o significado das inúmeras estátuas e cenas entalhadas na pedra, para dar aulas perfeitas sobre as verdades fundamentais da fé, as virtudes e os vícios opostos, a História Sagrada, a ordem do Universo, a hierarquia das ciências, etc.

No coração da fachada de Notre Dame encontra-se a rosácea. Ela forma a coroa da Santíssima Virgem.

A rosa é emblema de Nossa Senhora. Na Idade Média, quase todas as catedrais foram dedicadas à Mãe de Deus.

A rosácea é denominada “olho de Deus”, porque antecipa a visão beatífica. Representa também a perfeição, o equilíbrio e a harmonia da alma purificada, que se prepara para ingressar no Reino Celeste eternamente.

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domingo, 29 de julho de 2007

Mont Saint-Michel recupera seu sacral e sublime isolamento



O monte Saint-Michel na Idade Média era chamado Saint-Michel du Mont du Péril: São Miguel do Monte do Perigo. Sua agulha toca o Céu. Rodeiam-na areias movediças e marés furiosas que sobem metros e em instantes engolem os viajantes. O mosteiro era tido residência do próprio São Miguel Arcanjo. Quem ainda lá vai, num dia de poucos turistas, pode sentir sobrenaturalmente o bater das asas do chefe das milícias celestes.
Céus e mar; tempestades e mistério; monges e cavaleiros; cruzes, relíquias e espadas: o Mont Saint-Michel é um cântico da fé e do heroísmo.
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Odiado pela Revolução Francesa, foi transformado em vil prisão. O crime repugnou ateus famosos. Uma ponte e uma barragem forçaram a sedimentação de areia e lama e uniram a ilha-abadia e fortaleza à terra.
O efeito causou horror. Mais. A saudade da incomensurável grandeza sacral dessa jóia medieval feria a alma francesa. Afinal o governo laicista entregou os pontos. Hoje, 29.7.2007, "Le Monde" informa que ele ordenou a demolição de pontes e barragens e a aplicação de 200 milhões de euros para devolver ao Monte do Príncipe das Legiões Celestes a sua altaneira e majestosa alteridade em relação ao continente. Nesta disputa com a modernidade, acabou ganhando a Idade Média!
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sexta-feira, 27 de julho de 2007

Restos medievais na Justiça dividem ingleses


Os juízes das varas cíveis de Inglaterra e Gales ficaram proibidos de usar as tradicionais perucas brancas e capas vermelhas e douradas que datam do século XVIII.
O pretexto foi economizar US$ 600.000, cifra diminuta dentro dos mastodônticos orçamentos públicos e comunitários.
A exceção por agora tolerada será a dos juízes de distrito e das Cortes Reais. Os juízes das varas criminais também não aceitaram, pois, com bom senso aduziram que a peruca põe em realce a dignidade dos julgamentos. O premio da inépcia foi ganho pelo lord socialista de Justiça, Charles Phillips. Para ele perucas e capas transmitiam uma imagem de respeitabilidade “totalmente alheia à realidade e envolta em tradições desnecessárias”.
Na verdade, capas e perucas, que não eram medievais, perpetuavam a imensa dignidade, esplendor e respeitabilidade com que a ordem medieval rodeou o ínclito Poder Judiciário. Perceberam bem isso os ativistas de esquerda que infiltram esse augusto Poder para abusar de suas atribuições e impor reformas que a sociedade não quer. A força que a Idade Média comunicou às instituições cristãs foi tal que em pleno III milênio ainda se polemiza em torno dela.

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