Idade Média * Glória da Idade Média: Cristandade
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domingo, 27 de maio de 2018

Cristandade e Idade Média ‒ A Cristandade (5)

Coroacão do imperador do Sacro Império em Frankfurt,
pelos bispos de Mainz, Colonia e Trier
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Existiu a Cristandade?

Sim. Sob o influxo de todas as energias naturais e sobrenaturais entesouradas nas nações cristãs, foi emergindo lentamente do caos da barbárie na alta Idade Média, a sociedade civil cristã, A Cristandade.

Sua beleza, de início indecisa e sutil, mais promessa e esperança que realidade, foi se afirmando a medida que, com o escoar dos séculos de vida cristã, a Europa batizada "crescia em graça e santidade".


O que nasceu na Idade Média?

Nasceram os reinos, e as estirpes fidalgas, os costumes corteses, e as leis justas, as corporações e a cavalaria, a escolástica e as universidades, o estilo gótico e o canto dos menestréis, por exemplo.


domingo, 20 de maio de 2018

A civilização cristã e a sociedade perfeita ‒ A Cristandade (4)

Luis Dufaur
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A civilização cristã é a sociedade perfeita?

Sim. Se Jesus Cristo é o verdadeiro ideal de perfeição de todos os homens, uma sociedade que aplique todas as Suas leis tem de ser uma sociedade perfeita, a cultura e a civilização nascidas da Igreja de Cristo tem de ser forçosamente, não só a melhor civilização, mas, a única verdadeira. Di-lo o Santo Pontífice Pio X:

"Não há verdadeira civilização sem civilização moral, e não há verdadeira civilização moral senão com a Religião verdadeira". (Carta ao Episcopado Francês, de 28-VIII-1910, sobre "Le Sillon"). 

De onde decorre com evidência cristalina que não há verdadeira civilização senão como decorrência e fruto da verdadeira Religião.


domingo, 13 de maio de 2018

Igreja e Civilização Cristã ‒ A Cristandade (3)


Luis Dufaur
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Se o mundo adotasse a Civilização Cristã resolveria todos os problemas?

Se todos os homens praticassem a Lei de Deus se resolveriam rapidamente todos os problemas políticos, econômicos, sociais, que nos atormentam.

Não se pode esperar uma solução enquanto os homens viverem na inobservância habitual da Lei de Deus.


A sociedade humana realizou alguma vez este ideal de perfeição?

Sem dúvida. Di-lo o imortal Leão XIII: operada a Redenção e fundada a Igreja,

"como que despertando de antiga, longa e mortal letargia, o homem percebeu a luz da verdade, que tinha procurado e desejado em vão durante tantos séculos; reconheceu sobretudo que tinha nascido para bens muito mais altos e muito mais magníficos do que os bens frágeis e perecíveis que são atingidos pelos sentidos, e em torno dos quais tinha até então circunscrito seus pensamentos e suas preocupações. Compreendeu ele que toda a constituição da vida humana, a lei suprema, o fim a que tudo se deve sujeitar, é que, vindos de Deus, um dia devamos retornar a Ele.

domingo, 6 de maio de 2018

Igreja, Ordem, Paz e Idade Média ‒ A Cristandade (2)

Luis Dufaur
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No que consiste a ordem?

A ordem é a disposição das coisas segundo sua natureza.

Assim, um relógio está em ordem quando todas as suas peças estão ordenadas segundo a natureza e o fim que lhes é próprio: apontar as horas.

Diz-se que há ordem no universo sideral porque todos os corpos celestes estão ordenados segundo sua natureza e fim. A Idade Média tendeu para implantar essa ordem em todas as coisas.

De onde provinha a paz medieval?

A paz medieval vinha do fato que a ordem engendra a tratabilidade. A tranquilidade da ordem é a paz.

Basta ter tranquilidade para ter paz?

Não. Não é qualquer tranquilidade que merece ser chamada paz mas apenas a que resulta da ordem.

Por exemplo, a paz de consciência é a tranquilidade da consciência reta: não pode confundir-se com o letargo da consciência embotada.

domingo, 29 de abril de 2018

A Igreja e o Reino de Cristo na Terra ‒ A Cristandade (1)

Luis Dufaur
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O que a Idade Média teve de original, malgrado os defeitos humanos atuantes em todas as épocas históricas, é que foi por excelência a era da “Cristandade”.

Isto é realizou o Reino de Cristo nesta terra, em toda a medida permitida pelas circunstâncias da época.

Cristandade: até hoje o termo e a realidade esplendorosa que ele exprime causam polêmica.

Tal vez ninguém a definiu melhor que o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira no hoje histórico artigo “A Cruzada do século XX”.

Atendendo a uma intenção didática, achamos melhor apresentar o conteúdo desse ensaio na forma de perguntas e respostas em sucessivos posts.



A finalidade da Igreja vai além da Terra?

Sim. A Igreja Católica foi fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo para perpetuar entre os homens os benefícios da Redenção.

Sua finalidade se identifica, pois, com a da própria Redenção: expiar os pecados dos homens pelos méritos infinitamente preciosos do Homem-Deus; restituir assim a Deus a glória extrínseca que o pecado Lhe havia roubado; e abrir aos homens as portas do Céu.

Esta finalidade se realiza toda no plano sobrenatural, e com ordem à vida eterna. Ela transcende absolutamente tudo quanto é meramente natural, terreno, perecível.

Foi o que N. S. Jesus Cristo afirmou, quando disse a Pôncio Pilatos "meu Reino não é deste mundo" (João, 18-36).

domingo, 10 de setembro de 2017

A Cristandade medieval instaurou a paz de Cristo na Europa

A sagração dos reis da França: um dos pontos altos da suavização dos costumes na Idade Média
A sagração dos reis da França:
um dos pontos altos da suavização dos costumes na Idade Média
Luis Dufaur
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O sistema feudal maneja toda uma sucessão de arbitragens naturais: o vassalo pode sempre recorrer de um senhor ao suserano deste último; o rei, à medida que a sua autoridade se estende, exerce cada vez mais o seu papel de mediador; o Papa, enfim, continua o árbitro supremo.

Basta, frequentemente, a reputação de justiça ou de santidade de um grande personagem para que se recorra, assim, a ele.

A Idade Média não contestou o problema da guerra em geral, mas, por uma série de soluções práticas e de medidas aplicadas no conjunto da Cristandade, restringiu sucessivamente o domínio da guerra, as crueldades da guerra, as durações da guerra. É assim, com leis precisas, que se edificou a Cristandade pacífica.

A primeira destas medidas foi a Paz de Deus, instaurada desde o fim o século X: é também a primeira distinção que foi feita, na história do mundo, entre o fraco e o forte é feita proibição de maltratar as mulheres, as crianças, os camponeses e os clérigos; as casas dos agricultores são declaradas invioláveis como as igrejas.

A grande glória da Idade Média é ter empreendido a educação do soldado, é ter feito do soldado da velha guarda um cavaleiro.

domingo, 6 de novembro de 2016

A Luz de Cristo e o charme da Idade Média

Jesus Cristo, San Paolo fuori le mura, Roma

Luis Dufaur
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Na cerimônia da madrugada da Resurreição, no jardim tirava-se fogo do atrito da pedra e acendia-se o círio pascal.

Porque assim como Nosso Senhor Jesus Cristo deu vida a seu próprio cadáver, assim da fricção de matérias inertes como as pedras nasce uma chama viva para acender o círio pascal.

Então, na noite, no crepúsculo, nas trevas, é acesa uma luz: é Nosso Senhor Jesus Cristo que ressuscita!

Acende-se o círio pascal e o padre entra com uma vela acesa na igreja e canta três vezes Lumen Christi. As velas vão se acendendo e daí a pouco a igreja está toda iluminada pelo círio pascal.

Essa expressão Lumen Christi ficou-me como imensamente bonita e nobre, querendo dizer mil coisas.

O que é que vem a ser especificamente a Luz de Cristo, ou Lumen Christi?

A expressão Lumen Christi, tomada ao pé da letra, literalmente, é adequada. É uma certa luz que há em Nosso Senhor Jesus Cristo, e que é a luz de toda Sua pessoa.

domingo, 12 de julho de 2015

Sem a Cristandade medieval
nunca teria reinado a paz na Europa

Bárbaros antes da cristianização.
Bárbaros antes da cristianização.




A Idade Média, tal como se apresentava, corria o risco de nunca conhecer senão caos e decomposição.

Nascida de um império desmoronado e de vagas de invasões sucessivas, formada por povos desarmônicos.

Esta Europa tão dividida, tão perturbada quando do seu nascimento, atravessa uma era de harmonia e de união tal como ela nunca conhecera e não conhecerá talvez mais no decorrer dos séculos.

Vemos a Europa inteira estremecer à palavra de um Urbano II, de um Pedro, o Eremita, mais tarde de um São Bernardo ou de um Foulques de Neuilly.

Vemos monarcas, preferindo a arbitragem à guerra, submeter-se ao julgamento do papa ou de um rei estrangeiro para regularizar as suas dissensões.

Praticamente, a Cristandade pode definir-se como a “universidade” dos príncipes e dos povos cristãos obedecendo a uma mesma doutrina, animados de uma mesma fé, e reconhecendo desde logo o mesmo magistério espiritual.

domingo, 23 de novembro de 2014

“Uma espécie de rei eterno”(10)
São Luís, estadista da Cristandade 9

São Luís, estátua em Saint Louis, Missouri, EUA.
São Luís, estátua em Saint Louis, Missouri, EUA.
Luis Dufaur



continuação do post anterior: Reordena o Reino de Jerusalém


São Luís IX realizou a perfeição da França. Encarnou o país da harmonia, da bondade, da generosidade de alma e da inteira entrega a Nossa Senhora.

Ele parece presente na Sainte-Chapelle e em outros lugares que cantam a glória de Nosso Senhor e de Sua Mãe Santíssima.

Foi um santo segundo a alma da França, como São Fernando III de Castela, seu primo-irmão, foi o santo que a Espanha aguardava, ou Santo Henrique imperador foi o anelado da Alemanha.

Ele contribuiu para fazer da Idade Média uma Jerusalém terrestre, imagem da celeste.

Na Alemanha, quando alguém perguntava: “Como você vai?” e o outro ia muito bem, dizia: “Eu vou como vai o bom Deus na França”.

Pois, sob o santo estadista, a França imprimiu na Europa o equilíbrio ideal entre os senhores feudais, a realeza e o povo, entre o Papa e o Imperador, entre os soberanos vizinhos.

O governante sem sabedoria perde seu povo e o rei sábio o salva. Sem sabedoria, o poder civil ou eclesiástico se transforma em instrumento de perdição.

Por isso, Dom Guéranger, o grande abade de Solesmes, formulou um elogio lapidar do santo: “A Sabedoria eterna desceu um dia de seu trono no Céu e pousou sobre São Luís”.

FIM

domingo, 16 de novembro de 2014

Reordena o Reino de Jerusalém
São Luís, estadista da Cristandade 8

São Luís na Cruzada
São Luís na Cruzada
Luis Dufaur


continuação do post anterior: As Cruzadas


A rainha Margarida de Provence salvou Damietta com um punhado de cavaleiros e reuniu o imenso resgate de 400.000 bizantinos de ouro, libertando assim o rei, a maioria dos cavaleiros e grande parte do exército prisioneiro.

São Luís trasladou-se a São João d’Acre, onde consultou os barões do Reino sobre permanecer ou não na Terra Santa.

A rainha-mãe Branca de Castela havia informado que o rei da Inglaterra tramava invadir a França e que o reino corria grande perigo.

Segundo Joinville, São Luís explicou:

“Eu não tenho paz nem trégua com o rei da Inglaterra. Mas o povo de Terra Santa quer impedir-me de partir. Eles dizem que se eu for embora, sua terra estará perdida e será destruída e que eles preferem sair comigo. Eu vos rogo pensar nisto e responder-me em oito dias”.

domingo, 9 de novembro de 2014

As Cruzadas
São Luís, estadista da Cristandade 7

São Luis embarca para a Cruzada
São Luis embarca para a Cruzada
Luis Dufaur



continuação do post anterior: Árbitro da Cristandade


São Luís tinha certeza de que Deus queria dele a libertação de Jerusalém. E repetia que desejava salvar as almas dos muçulmanos, convertendo-os.

Joinville, contudo, para quem a salvação desses ímpios passava pelo extermínio, espantava-se ouvindo as intenções de tão grande chefe de armas.

Em 1240, para se livrar das potências marítimas italianas cuja politicagem prejudicara as Cruzadas anteriores, São Luís IX ordenou a construção de uma imensa fortaleza e um porto no Mediterrâneo.

Abriu-se uma estrada entre os pântanos, canalizaram-se fios de água, erigiram-se muralhas e torres de defesa e armazenamento.

A população local, que até então morava em palafitas, sentiu-se protegida com o surgimento da cidade de Aigues-Mortes, verdadeira maravilha arquitetônica a partir da qual o santo monarca embarcou para as Cruzadas — tanto para a sétima, em 25 de agosto de 1248, que durou seis anos, quanto para a oitava, em 1270.

Na VII Cruzada o rei desembarcou diante de Damietta, fortaleza que controlava o acesso ao Cairo, sede do Sultão, chefe máximo dos islamitas no Egito.

domingo, 2 de novembro de 2014

Árbitro da Cristandade
São Luís, estadista da Cristandade 6

São Luís estátua em Saint Louis, Missouri, EUA.  Fundo: rosácea de Notre Dame.
São Luís estátua em Saint Louis, Missouri, EUA.
Fundo: rosácea de Notre Dame.


continuação do post anterior: “Resurrreição e Cruzada

A partir 1241 pioraram as notícias provenientes da Europa Oriental e da Terra Santa. A invasão dos mongóis atingiu a Polônia, a Hungria e a Romênia, após devastar a Rússia e a Ucrânia.

O chefe mongol Subedei mirava o coração da Europa, mas após esmagar o rei da Hungria em Mohi, voltou às pressas para a Ásia por razões não esclarecidas.

A corajosa rainha Branca ficou muito temerosa, mas São Luís parecia ser o único a intuir que a invasão não prosperaria.
“Quando viu a Europa ameaçada pelos tártaros — conta Pourrat —, São Luís disse: ‘Tende coragem minha mãe; ou nós os colocamos nas portas do inferno ou eles nos abrirão as portas do Céu’”.

O santo foi arguto estrategista e homem de fé: ou ele os venceria e eles iriam para o inferno enquanto pagãos horrivelmente criminosos, ou ele morreria e iria para o Céu. Nada se perderia lutando contra eles.

domingo, 26 de outubro de 2014

“Ressurreição” e Cruzada
São Luís, estadista da Cristandade 5

São Luís acorda e anuncia a decisão de partir na Cruzada
São Luís acorda e anuncia a decisão de partir na Cruzada


continuação do post anterior: A Coroa de Espinhos e a Sainte-Chapelle

São Luís regressou de Taillebourg padecendo uma disenteria que se agravou rapidamente. Esta havia sido a causa da morte de seu pai, Luís VIII.

A rainha-mãe, Branca de Castela, pediu ao abade de Saint-Denis — abadia onde repousam os restos dos reis da França — para expor à veneração pública o corpo do glorioso São Dionísio, protetor do reino, bem como as relíquias de São Eleutério e São Rústico, seus companheiros de martírio. São Luís já tinha feito seu testamento, e murmurava em voz baixa:

— “Olhai para mim. Eu era o homem mais rico e mais nobre do mundo, o mais poderoso de todos pelos tesouros, pelo meu poder e pelos meus amigos, e eis que não posso obter da morte sequer uma trégua, nem uma hora à doença. De que valeu tudo isso?”

Quando ele perdeu o conhecimento, os médicos anunciaram seu fim iminente. O Palácio Real encheu-se de lamentações, suspiros e prantos. O clero recebeu ordem de preparar as exéquias.

Em certo momento, acreditou-se que o santo-herói tinha morrido. Joinville conta:

domingo, 19 de outubro de 2014

A Coroa de Espinhos e a Sainte-Chapelle
São Luís, estadista da Cristandade 4

São Luis: estátua da capela inferior da Sainte Chapelle. Fundo: capela superior. Coroa de Espinhos no relicário atual.
São Luis: estátua da capela inferior da Sainte Chapelle.
Fundo: capela superior. Coroa de Espinhos no relicário atual.
Luis Dufaur


continuação do post anterior: O banquete de Saumur

Enquanto punha ordem na França e preparava a Cruzada, São Luís executou um projeto que marca a França até hoje.

Em 1239, o Império de Bizâncio consignou a Coroa de Espinhos a banqueiros venezianos como penhor de uma dívida de 135.000 libras tournois.(5)

A quantia equivalia à metade das entradas do reino francês em um ano! Porém, se comparada com os orçamentos multibilionários dos governos atuais, parece exígua: aproximadamente R$ 84.620.700,00.

São Luís assumiu a dívida, com a condição de a relíquia ficar sob a guarda da casa real francesa, em uma negociação que poderia ser comparada a empréstimos atuais envolvendo o FMI e bancos multinacionais.

Assinados os acordos e apurada a autenticidade da relíquia, ela foi levada à França por religiosos dominicanos.

No dia 10 de agosto de 1239, o santo monarca, seu irmão o príncipe Roberto I de Artois e o Arcebispo de Sens receberam a Santa Coroa, conferiram seus registros de autenticidade e entraram em cortejo na cidade de Villeneuve-l'Archevêque, na França.

domingo, 12 de outubro de 2014

O banquete de Saumur
São Luís, estadista da Cristandade 3

São Luís na batalha de Taillebourg.  Ferdinand-Victor-Eugène Delacroix 1798-1863, Galerie des Batailles, Versailles
São Luís na batalha de Taillebourg.
Ferdinand-Victor-Eugène Delacroix 1798-1863, Galerie des Batailles, Versailles
Luis Dufaur


continuação do post anterior: Rei enquanto santo e santo enquanto rei

Em 1237, o novo rei investiu seu irmão Afonso como conde de Poitiers, um riquíssimo, brilhante e populoso feudo. Mas, infelizmente, um ninho de revoltas da nobreza local!

Atiçados pelo rei Henrique III, da Inglaterra, que sonhava ser rei da França, os senhores feudais não cessavam de fazer intrigas. Já germinava a discórdia que desfecharia na guerra dos Cem Anos.

Os intrigantes haviam motejado o jovem monarca como “rei dos monges”, como “devoto” incapaz de defender sua herança.

São Luís IX quis conferir à investidura do irmão um caráter oficial e solene.

domingo, 5 de outubro de 2014

Rei enquanto santo e santo enquanto rei
São Luís, estadista da Cristandade 2

São Luís recebe enviados do Velho da Montanha, ou Príncipe dos Assassinos, seita islâmica. Guy-Nicolas Brenet  (1728 — 1792)
São Luís recebe enviados do Velho da Montanha, ou Príncipe dos Assassinos,
seita islâmica. Guy-Nicolas Brenet  (1728 — 1792)
Luis Dufaur








continuação do post anterior: O filhote de Leão

São Luís teria preferido viver num mosteiro, na abstinência e na meditação, explicou em conferência o renomado historiador Georges Bordonove.(2)

Porém, nasceu num berço de ouro agitado pela História e com uma missão divina: reger a filha primogênita da Igreja e tornar-se o árbitro da Cristandade no século XIII.

Sua aspiração à santidade foi realizada na responsabilidade tremenda de monarca e estadista europeu.

“Ele sabia comparecer em grande pompa, acolher faustosamente, dava festas e festins quando necessário. Ele respeitava altamente sua condição de rei.

“Mas na vida privada ignorava o luxo, misturava muita água no vinho e nos molhos para lhes tirar o gosto. Quando ia às procissões, levava calçados sem sola para ocultar que caminhava com os pés nus, na lama ou no pedregulho, pois as ruas de Paris não estavam pavimentadas”, explicou Bordonove.

Segundo o historiador Henri Pourrat, São Luís era “louro, delgado, de ombros um pouco curvos, alto e de fisionomia serena. Joinville disse dele: ‘Asseguro-vos que nunca vistes um homem de tão bela aparência, quando armado. E, mais ainda, era o mais altivo cristão que os pagãos jamais conheceram’”.(3)

domingo, 28 de setembro de 2014

O filhote de Leão:
São Luís, estadista da Cristandade 1

Luis Dufaur







Em 25 de abril de 1214 um menino nasceu no castelo de Poissy, perto de Paris.

Há hoje no local um mosteiro para honrar aquela criança, que conhecemos pelo nome de São Luís IX, Rei da França.

O feliz evento aconteceu em meio a uma tormenta política.

Nesse ano, seu avô, o rei Felipe Augusto, derrotou na batalha de Bouvines uma coalizão de príncipes e nobres franceses revoltados, apoiados pelo rei da Inglaterra, João Sem-Terra, sustentados pelo imperador Othon IV e auxiliados por tropas flamengas da Holanda e da Lorena.

João Sem-Terra cobiçava a coroa francesa e o imperador alemão Othon IV tinha sido excomungado pelo Papa.

A vitória de Bouvines foi considerada um “autêntico juízo de Deus” que salvou o trono a ser ocupado um dia pelo principezinho.

Quando ele aprendeu a escrever, assinava Luís de Poissy, gostava de cantar na igreja e ouvir os feitos bélicos de Bouvines dos próprios lábios de seu avô.

Ao subir ao trono, os conselhos do velho monarca inspiraram-no no exercício do poder régio.

Filhote de Leão

domingo, 31 de agosto de 2014

Cristandade medieval: primavera da humanidade cristã

Detalhe da Igreja Militante. Andrea da Firenze (1366-7). Santa Maria Novella, Florença
Detalhe da Igreja Militante. Andrea da Firenze (1366-7).
Santa Maria Novella, Florença
A concepção do mundo que prevaleceu foi a noção de Cristandade.

Formou-se lentamente, à custa de sangue e lágrimas, e foi-se também perdendo aos poucos.

Por trezentos anos impôs a sua lei, e, evidentemente não por acaso, foi esse talvez o período mais rico, mais fecundo e, sob muitos aspectos, mais harmonioso de todos os que a Europa conheceu até os nossos dias.

Saindo das trevas invernais da época bárbara, a humanidade cristã viveu a sua primavera.

O que inicialmente impressiona a quem analisa o conjunto destes trezentos anos é a sua riqueza de homens e de acontecimentos.

À semelhança da seiva que jorra por todos os lados na primavera, tudo parece agora germinar e desabrochar numa abundância de folhagem sobre o solo batizado por Cristo.

Em todos os âmbitos se manifesta o fervor criativo, a exigência profunda de empreender, de encaminhar a caravana humana para o futuro.

Os mais minuciosos quadros cronológicos não seriam suficientes para captar este impulso.

domingo, 29 de junho de 2014

O busto e a estatueta de Carlos Magno:
o mito e a realidade do imperador

Busto relicario de Carlos Magno.
Fundo catedral de Aachen (Aquisgrão), Alemanha.

A urna-relicário conservada em Aachen (Aquisgrão), Alemanha, representa o busto de Carlos Magno e contém como relíquia um pedaço da calota craneana do grande imperador.

O busto relicário remonta a 1349 e apresenta, mais do que o Carlos Magno histórico, a imagem mítica do  imperador que os povos do Sacro Império foram elaborando ao longo dos séculos.

A importância desse relicário se pode medir num costume medieval das cerimônias prévias às coroações imperiais.

Quando o príncipe escolhido pelos Kurfürsten (Príncipes Eleitores) em Frankfurt chegava a Aachen para a coroação, o busto-relicário era levado até as portas da cidade para que alí recebesse seu sucessor.

A urna apresenta Carlos Magno com uma coroa muito bonita, feita de florões e de um arco que tem uma cruz no alto. A coroa foi usada pelo imperador Carlos IV na sua primeira coroação em 1346.

No alto, a coroa é fechada por um arco que tem no alto uma esplêndida Cruz, símbolo que o poder vem do Santíssimo Redentor Jesus Cristo.

domingo, 11 de maio de 2014

Carlos Magno segundo o pintor Albrecht Dürer

No famoso quadro do pintor alemão Albrecht Dürer (1471 – 1528), o artista imaginou em 1512 – portanto muitos séculos depois – a Carlos Magno entre a idade madura e a orla da velhice.

O seu bigode ainda é, em parte, castanho louro, mas uma parte é já branca e completamente alva.

O seu olhar é de um homem experimentado, que está prevenido para ver o adversário vir de qualquer lado e a qualquer momento.

Ele é seguro de si como um Himalaia. Todo seu olhar revela a contínua vigilância, mas todo o modo de ser, seu rosto, seu corpo, tudo o mais indica a contínua estabilidade, a contínua distância psíquica: “se for, veremos. Por enquanto estou tranquilo. E na hora do combate não deixarei de estar tranquilo, porque confio em Deus, meu Senhor”.

Uma coroa magnífica, feita de joias ainda não lapidadas – não se lapidavam as pedras nesse tempo – que se guarda, aliás, na Schatz Kammer, câmara do tesouro imperial, no palácio imperial de Viena hoje em dia.