Contos e lendas da Era Medieval

domingo, 23 de dezembro de 2018

Feliz Natal e bom Ano Novo!

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs


"Noite Feliz", o hino como que oficial do Natal CLIQUE PARA VER





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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

“Os 12 dias de Natal”

São Gabriel, Rodez, França
São Gabriel, Rodez, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Há uma bela música de Natal inglesa intitulada Twelve Days of Christmas (Os 12 dias do Natal), pouco conhecida entre nós.

Ela surgiu durante a época da perseguição anglicana contra os católicos naquele país, no século XVI.

Com a pseudo-reforma protestante, países como a Inglaterra, ao abandonarem o regaço da Santa Igreja e caírem na heresia, começaram a perseguir os católicos.

Assim fazendo, tornaram quase impossível a prática da verdadeira Religião.

Para comunicar aos fiéis a sã doutrina e poderem celebrar sem medo de represálias o Natal do Salvador, segundo a tradição da Santa Igreja, católicos ingleses compuseram tal música, que é um catecismo secreto, porquanto expressa em símbolos a realidade de nossa fé.

Ela foi também utilizada muitas vezes pelos católicos durante as perseguições anticristãs e anti-monárquicas da Revolução Francesa.




Vídeo: “Os 12 dias de Natal”




Ei-la:

No primeiro dia de Natal o meu verdadeiro amor deu-me: uma perdiz numa pereira.

No segundo dia de Natal o meu verdadeiro amor deu-me: 2 pombas-rolas e uma perdiz numa pereira.

No terceiro dia de Natal o meu verdadeiro amor deu-me: 3 galinhas francesas, 2 pombas-rolas e uma perdiz numa pereira”. (Dia após dia, ela vai narrando, em ordem decrescente, o que o “meu amor deu-me”).

Anjos da Borgonha, França
Anjos da Borgonha, França
No quarto dia de Natal o meu verdadeiro amor deu-me: 4 pássaros cantando...

No quinto dia de Natal o meu verdadeiro amor deu-me: 5 anéis dourados...

No sexto dia de Natal o meu verdadeiro amor deu-me: 6 gansos chocando...

No sétimo dia de Natal o meu verdadeiro amor deu-me: 7 cisnes nadando...

No oitavo dia de Natal o meu verdadeiro amor deu-me: 8 servas ordenhando...

No nono dia de Natal o meu verdadeiro amor deu-me: 9 senhoras dançando...

No décimo dia de Natal o meu verdadeiro amor deu-me: 10 lordes saltando...

No décimo primeiro dia de Natal o meu verdadeiro amor deu-me: 11 flautistas tocando...”

E termina dizendo:

No décimo segundo dia de Natal o meu verdadeiro amor deu-me: 12 tocadores de tambor, 11 flautistas tocando, 10 lordes saltando, 9 senhoras dançando, 8 servas ordenhando, 7 cisnes nadando, 6 gansos chocando, 5 anéis dourados, 4 pássaros cantando, 3 galinhas francesas, 2 pombas-rolas e uma perdiz numa pereira...”

Qual o significado da letra dessa música?

1º dia: O meu verdadeiro amor é Deus Pai. E a perdiz na pereira simboliza Nosso Senhor Jesus Cristo.

A perdiz é um animal corajoso, capaz de lutar até a morte para defender seus filhotes. E a pereira representa a Cruz.

O anjo traz a estrela de Belém. Presépio Convento Carboneras. Madri, Espanha
O anjo traz a estrela de Belém.
Presépio Convento Carboneras. Madri, Espanha
2º dia: Duas pombas-rolas representam o Antigo e o Novo Testamento.

Durante séculos, judeus ofereciam pombas a Deus.

As duas pombas lembram o sacrifício de Nossa Senhora e São José oferecido por Nosso Senhor.

3º dia: Três galinhas francesas representam as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade.

Essas galinhas eram muito caras durante o século XVI e só os ricos tinham condições de comprá-las.

Simbolizavam os três presentes ofertados pelos Reis Magos a Nosso Senhor: ouro, o mais precioso dos metais; incenso, usado nas cerimônias religiosas solenes; e a mirra, uma especiaria sem igual.

4º dia: Quatro pássaros cantando representam os quatro Evangelhos. Neles estão contidos a vida de Nosso Senhor e seus ensinamentos.

Como pássaros cantando de modo claro e em alta voz, os quatro Evangelistas espalham por todo o mundo a Boa-Nova da Vida, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

5º dia: Cinco anéis dourados representam os cinco primeiros livros do Antigo Testamento ou o Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), que lembravam aos católicos suas raízes. Os judeus consideravam esses livros mais valiosos que o ouro.

E depois que a devoção do Rosário tornou-se mais conhecida, lembravam as cinco dezenas do Rosário da Bem-aventurada Virgem Maria.

6º dia: Seis gansos chocando representam os seis dias que Deus empregou na criação da Terra, do Universo e das criaturas.

Os seis gansos chocando ovos recordam como a Palavra deu vida à Terra.

7º dia: Sete cisnes nadando representam os sete sacramentos e também os sete dons do Espírito Santo. Com os sacramentos e os dons, os fiéis poderiam sustentar-se através dos tempos de perseguição.

Como os filhotes de cisnes transformam-se de patinhos feios em belos cisnes, assim a graça de Deus nos transforma de simples criaturas em filhos de Deus.

8º dia: Oito servas ordenhando representam as oito bem-aventuranças pregadas por Nosso Senhor no Sermão da Montanha.

As bem-aventuranças, como o leite, alimentam e nutrem o católico.

Presépio do Convento Carboneras, Madri
Presépio do Convento Carboneras, Madri
9º dia: Nove senhoras dançando são os nove frutos do Espírito Santo (Gal. 5, 22-23): caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura e temperança.

Da mesma forma como as senhoras que dançam alegres, os cristãos podem alegrar-se com a vida transformada pelos frutos do Espírito Santo.

10º dia: Dez Lordes pulando simbolizam os 10 Mandamentos da Lei de Deus. Os Lordes eram homens com autoridade para governar e disciplinar o povo.

11º dia: Onze flautistas tocando representam os 11 Apóstolos que permaneceram fiéis a Nosso Senhor, após a infame traição de Judas.

Como crianças que seguem alegremente o flautista, esses discípulos acompanharam a Jesus. Eles também chamaram outros a segui-Lo. E tocaram uma canção eterna: a mensagem de salvação e da ressurreição após a morte.

12º dia: Doze tocadores de tambor representam os doze artigos do Credo.

Assim como eles tocam sonoramente para que os outros acompanhem o ritmo da música, o Credo revela a fé daqueles que são chamados cristãos.

Muitas pessoas não imaginam quais são esses 12 Dias de Natal. 

Trata-se dos dias entre o Natal e a Festa da Epifania, a qual é tradicionalmente celebrada no dia 6 de janeiro.



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domingo, 11 de novembro de 2018

Como São Francisco miraculosamente curou o leproso de alma e corpo; e o que a alma lhe disse subindo ao céu

São Francisco, Giovanni da Milano
(ativo entre 1346 e 1369)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O verdadeiro discípulo de Cristo, meu senhor São Francisco, vivendo nesta miserável vida, com todo seu esforço se empenhava em seguir a Cristo perfeito mestre.

De onde advinha frequentes vezes, por divina inspiração, que, de quem ele sarava o corpo, Deus na mesma hora lhe sarava a alma, tal como se lê de Cristo.

Pelo que servia não só voluntariamente os leprosos, mas havia também ordenado que os frades de sua Ordem, andando ou parando pelo mundo, servissem aos leprosos pelo amor de Cristo, o qual quis por nós ser considerado leproso.

Adveio em um lugar próximo ao em que morava São Francisco, servirem os frades em um hospital a leprosos e enfermos, no qual havia um leproso tão impaciente e insuportável e arrogante que cada um acreditava certamente, e assim o era, estar possuído do demônio.

Porque aviltava com palavras e pancadas tão cruelmente a quem o servisse, e, o que era pior, com ultrajes blasfemava contra Cristo bendito e sua Santíssima Mãe, a Virgem Maria, que por nenhum preço se encontrava quem o pudesse ou quisesse servir.

E ainda que os frades procurassem suportar pacientemente as injúrias e vilanias para aumentar o mérito da paciência, no entanto não podiam em sua consciência sofrer as contra Cristo e sua mãe, resolvendo por isso abandonar o dito leproso.

Mas não o quiseram fazer sem falar antes, conforme a Regra, com São Francisco, o qual vivia então em um convento próximo dali.

São Francisco e o lobo, basílica de Santa Fé, New Mexico.
E tendo-lho explicado, São Francisco foi procurar aquele leproso perverso; e aproximando-se dele, saúda-o, dizendo: “Deus te dê a paz, irmão meu caríssimo”.

Respondeu o leproso com arrebatamento: “E que paz posso ter eu de Deus que me tirou a paz e todos os bens e me fez todo podre e asqueroso?”

E São Francisco disse: “Filho, tem paciência; porque as enfermidades do corpo nos são dadas por Deus neste mundo para a salvação da alma, pois são de grande mérito quando suportadas em paz”.

Responde o enfermo: “E como posso suportar com paciência o tormento contínuo que me aflige de dia e de noite? E não somente me aflige essa enfermidade, mas muito pior fazem os teus frades que me deste para me servir, e não me servem como devem”.

Então São Francisco, conhecendo pela divina revelação que este leproso estava possuído do espírito mau, foi e se pôs em oração e suplicou devotamente a Deus por ele.

E terminada a oração, volta a ele e diz-lhe: “Filho, quero servir-te eu, porque não estas contente com os outros”.

“Esta bem, disse o enfermo; que me podes fazer mais do que os outros?”

Responde São Francisco: “Farei o que quiseres”.

Disse o leproso: “Quero que me laves todo o corpo; porque tenho cheiro tão ruim, que nem mesmo eu me posso suportar”.

São Francisco expulsa os demonios de Arezzo, Benozzo Gozzoli
Então São Francisco mandou ferver água com muitas ervas aromáticas: depois lhe tira a roupa e começa a lavá-lo com as suas mãos, enquanto outro irmão punha-lhe água em cima.

E por divino milagre, onde São Francisco tocava com suas mãos, desaparecia a lepra e a carne ficava perfeitamente curada.

E quando começou a carne a sarar, também começou a alma a sarar; donde o leproso, vendo-se começar a curar, começou a ter grande compunção e arrependimento dos seus pecados e a chorar amarissimamente: de modo que, enquanto o corpo se limpava por fora da lepra pela lavagem com água, a alma se limpava por dentro do pecado pela contrição e pelas lágrimas.

São Francisco, João de Flandes
E ficando completamente sarado quanto ao corpo e quanto à alma, humildemente reconheceu sua culpa e disse chorando em altas vozes:

“Ai de mim, que sou digno do inferno pelas vilanias e injúrias que fiz e disse aos frades e pela impaciência e pelas blasfêmias que disse contra Deus”.

E perseverou por quinze dias em amargo pranto por seus pecados e em pedir misericórdia a Deus, confessando-se ao padre inteiramente.

E São Francisco, vendo um milagre tão expressivo, o qual Deus tinha operado pelas mãos dele, agradeceu a Deus e partiu-se, indo daí a terras muito distantes: porque por humildade queria fugir de toda a glória humana, e em todas as suas operações só procurava a honra e a glória de Deus e não a própria.

Pois, como foi do agrado de Deus, o dito leproso, curado do corpo e da alma, após quinze dias de penitência, enfermou de outra enfermidade: e armado com os santos sacramentos da santa madre Igreja, morreu santamente; e sua alma, indo ao paraíso, apareceu nos ares a São Francisco, que estava em uma selva em oração, e disse-lhe:

“Reconheces-me?”

“Quem és?”, disse São Francisco.

E ele disse: “Sou o leproso, o qual Cristo bendito sarou por teus méritos, e hoje vou à vida eterna, pelo que rendo graças a Deus e a ti. Bendito sejam tua alma e teu corpo e benditas as tuas palavras e obras: porque por ti muitas almas se salvarão no mundo: e saibas que não há dia no mundo no qual os santos anjos e os outros santos não deem graças a Deus pelos santos frutos que tu e a Ordem tua fazeis em diversas partes do mundo: e portanto toma coragem e agradece a Deus e fica com a sua bênção”.

E ditas estas palavras subiu para o céu; e São Francisco ficou muito consolado.

Em louvor de Cristo. Amém.



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domingo, 28 de outubro de 2018

Cantiga de Santa Maria 113: “Pela razão hei de obedecer”

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Esta história é a da grande pedra que caiu do morro sobre a igreja de Montserrat, e que desceu diretamente para arrebentar a igreja toda e o mosteiro.

Eu acho muito razoável que as pedras obedeçam à Mãe do Rei porque, quando Ele morreu por nós as pedras se racharam.

Este é um grande milagre que eu ouvi contar.

Que em Monserrat fez a Virgem, e ainda hoje se vê bem ali, com uma pedra que mexia e que chegou a cair.

E caiu de tal jeito que, se Deus a deixasse prosseguir, poderia destruir toda a igreja.

Mas, Deus não quis sofrer isto para defender a igreja de sua Mãe gloriosa, a Rainha espiritual.

Por isso desviou a pedra de tal maneira que não pudesse fazer mal e a fez descer tão devagar que depois não pôde mais girar.

Mas, os monges, que nessa hora cantavam a missa da Mãe de Deus, quando ouviram o grande ruído, disseram:

“Senhor, somos vossos, e não nos deixeis perecer nem morrer de mala morte”.

Dizendo isto, saíram da igreja e viram o rochedo ali onde tinha caído, porque Deus o tinha desviado e começaram a abençoar a Deus e à Virgem e seu poder.

Esse milagre tão grande, que Deus fez, em honra à muito distinguida, sua Mãe gloriosa, podem vê-lo todos aqueles que vão a Montserrat, e nisto encontram gáudio, e por própria iniciativa depositam ali suas oferendas.



(Fonte: Alfonso X, o Sábio. Cantigas de Santa María, Cantiga 113 : “Por razon tenno d' obedecer”




Vídeo: Cantiga de Santa Maria 113







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domingo, 14 de outubro de 2018

O caos dos rochedos do « Pas de Soucy »

“Vou ganhar essa!”, fanfarronava grosso o Maligno
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Nas gargantas do rio Tarn, uma acumulação imensa de rochedos parece querer barrar a passagem do rio.

Esta curiosa formação geológica tal vez esteja na origem da lenda do “Soussich do Tarn”, ou do “Caos do Pas de Souci”.

Após sua miraculosa cura na fonte de Burle, a princesa Santa Enimia projetou construir no local uma casa de oração para freiras.

Hélas! Como acontece com freqüência, Belzebu ouviu falar do projeto, e entrou no mais profundo desacordo.

Para pior, o diabo via que o prédio começava a subir.

Então, aproveitou a noite para destruí-lo com um só sopro.

A garganta do rio Tarn
Quando o vento uivava ele aplicava todas suas forças para derrubar a obra sem que os pedreiros percebessem a sua pérfida intervenção.

A jovem princesa era ajudada por alguns aldeões que de cada vez reconstruiam os fundamentos do mosteiro.

Mas, na noite, com toda a potência de seu bafo maldito, o diabo o jogava por terra.

A princesa ordenou que a obra fosse vigiada pelos próprios aldeões durante a noite.

Mas, como a jornada de trabalho era dura, vários deles estavam muito cansados e, no fim, dormiam.

Belzebu sempre à espreita, toda semana regozijava-se estragando o “trabalinho” dos homens enquanto estes se davam ao sono…

A princesa Santa Enímia
Os aldeões estavam desesperados. E nem mesmo as palavras de encorajamento da princesa eram suficientes.

‒ “Vou ganhar essa!”, fanfarronava grosso o Maligno no fundo do inferno.

A princesa voltou a sua gruta para refletir.

‒ “O que é que eu posso fazer contra um ser tão poderoso?” perguntava-se ela.

‒ “Combate-lo”, sussurrou uma voz nas suas costas.

‒ “Mas como?. Eu não tenho armas!”, respondeu a filha do rei levantando os olhos em direção à voz.

‒ “Sim, Vossa Alteza tem a maior das armas.”

‒ “O quê ...”

‒ “Por certo, diante do Maligno, Vossa Alteza terá necessidade de um pouco de ajuda”, acrescentou a voz.

Ela ergueu a cabeça e viu a ... Santo Hilário.

Com o reforço do santo, o combate contra o ser do tridente não foi tão desigual.

Os dois engajaram uma luta gigantesca contra Belzebu.

A "Roque Sourde"
Não dá para traduzir em palavras o horror daquela batalha.

Conta-se que certa vez Santa Enimia perseguida por Satanás pulou de pedra em pedra com ágeis passos.

Vendo-a, os rochedos tocados pelas suas orações, tiveram pena dela e conspiraram contra o tirano dos infernos.

A fantástica disposição do “Pas de Souci” não seria outra coisa senão o resultado desse combate gigante até que a enorme pedra conhecida como “Roque Sourde” despencou e esmagou o diabo com sua massa.

Diz-se, porém, que o pai da mentira conseguiu escapulir de baixo da pedra, e jurou voltar...

Outros garantem que ele não está longe, pois sua cauda ficou pressa sob o rochedo.

Por isso mesmo é melhor não se aproximar demais dele...


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