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As Cruzadas: Terra Santa
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Balduino IV, o rei cruzado e leproso de Jerusalém, amado de Deus – 2

Balduíno IV na batalha de Montgisard. Charles-Philippe Larivière (1798 – 1876).
Sala das Cruzadas, Museu de Versailles.



continuação do post anterior: Balduino IV, o rei cruzado e leproso de Jerusalém, amado de Deus – 1



Saladino respondeu invadindo a Síria do Sul. Balduíno reuniu o que lhe restava da tropa, desguarneceu audaciosamente Jerusalém e partiu para Ascalon, onde Saladino investia.

Este, logo que foi informado, subestimou seu adversário. Ele acreditava que a queda de Ascalon era uma questão de dias, e marchou sobre Jerusalém com o grosso de seu exército.

Balduíno compreendeu suas intenções. Saiu de Ascalon, fez um longo périplo e caiu repentinamente sobre as colunas de Saladino, em Montgisard.

O efeito da surpresa não compensava a desproporção dos efetivos em luta, e Balduíno sentiu a hesitação dos seus.

Desceu do cavalo, prosternou-se com o rosto na areia, diante do madeiro da verdadeira Cruz, que era levada pelo Bispo de Belém, e orou com a voz banhada de lágrimas.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Balduino IV, o rei cruzado e leproso de Jerusalém, amado de Deus – 1




Balduíno IV foi o último rei de Jerusalém com espírito de Cruzada. Guy de Lusignan, seu sucessor, foi um interesseiro, sob cujo reinado a Civilização Cristã perdeu a posse da Cidade Santa.

Na história das Cruzadas, nada é mais emocionante que o reinado doloroso de Balduíno IV. Nada, entre os vários exemplos famosos, pode atestar melhor o império de um espírito de ferro sobre uma carne débil.

Foi um rei sublime, que os historiadores tratam só de passagem, o que faz perguntar por que até aqui nenhum escritor se inspirou nele, exceto talvez o velho poeta alemão Wolfram von Eschenbach.

Nem o romance nem o teatro o evocam, entretanto sua breve existência cheia de acontecimentos coloridos forma uma apaixonante e dilacerante tragédia.

O destino sorria à sua infância. Robusto e belo, ele era dotado da inteligência aguçada de sua raça angevina (de Anjou).

Tinha sido dado a ele por preceptor Guilherme de Tyr, que se tomou de “uma grande preocupação e dedicação, como é conveniente a um filho de rei”.

O pequeno Balduíno tinha muito boa memória, conhecia suficientemente as letras, retinha muitas histórias e as contava com prazer.

Um dia em que brincava de batalha com os filhos dos barões de Jerusalém, descobriu-se que tinha os membros insensíveis:

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Como São Luis IX tratou aos terroristas do “Velho da Montanha”

São Luís recebe os enviados do chefe da "seita dos Assassinos"
São Luís recebe os enviados do chefe da "seita dos Assassinos".
Nicolas-Guy Brenet (1728 - 1792). Capela da École Militaire. Paris.

A seita do “Velho da Montanha” havia sido fundada por Hassan Ibn el-Sabbah um sacerdote persa zoroastriano que se instalou no Cairo. A seita era conhecida como a dos “Assassinos”, e marcou o Oriente Próximo durante perto de um século.

O terror que ela causava ficou condensado na frase de um poderoso senhor local: “Eu não ouso mais obedecer-lhe nem desobedecer-lhe”.

Um outro senhor que recebeu uma mensagem do “Velho da Montanha” intimando-o a se render, preferiu demolir seu castelo, sabendo estar ameaçado de morte a qualquer momento e ser assassinado em caso de desobediência, tal vez por algum de seus familiares drogado com maconha.

No ano de 1090, os membros da seita ismaelita dos “Assassinos” se apoderaram da fortaleza de Alamut (o “refúgio dos abutres”) nas montanhas da Pérsia.

A partir dali, eles estenderam progressivamente sua influência pela Síria e pela Palestina.

Desde aquele rochedo inexpugnável, logo rebatizado, o “refúgio da riqueza”, os grandes mestres da seita governavam por meio de intermediários.

Pelo fim do século XII, um deles de nome Rachid el-Din el-Sinan, era tão poderoso que negociava de igual a igual com Saladino.

Nunca foi anunciada a morte de algum dos grandes mestres. Visavam assim fazer que os adversários acreditassem que eram imortais.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Estado da Terra Santa após a conquista de Jerusalém

Godofredo de Bouillon é escolhido para rei de Jerusalém. Federico de Madrazo y Kuntz (1815 – 1894), 1838.
Godofredo de Bouillon é escolhido para rei de Jerusalém.
Federico de Madrazo y Kuntz (1815 – 1894), 1838.
No estado em que se achava a Judéia, se seu território tivesse sido submetido inteiro às leis de Godofredo, o novo rei teria podido rivalizar em poder com a maior parte dos príncipes muçulmanos da Ásia.

Mas o reino nascente de Jerusalém era formado somente pela capital e por uma vintena de cidades ou aldeias da vizinhança.

Várias daquelas cidades estavam separadas umas das outras pelas praças que os infiéis ainda ocupavam. Uma fortaleza em poder dos cristãos estava perto de uma fortaleza onde se balouçavam os estandartes de Maomé.

Nos campos habitavam os turcos bem como árabes e egípcios, que se reuniam para fazer guerra aos súditos de Godofredo.

Estes eram ameaçados, até mesmo nas cidades, quase sempre mal defendidas e estavam sempre expostos a todas as violências da guerra.

As terras continuavam incultas, todas as comunicações estavam interrompidas.

No meio de tantos perigos, muitos latinos abandonavam as propriedades que a vitória lhes havia dado, e para que o país conquistado não ficasse sem habitantes, principalmente no momento do perigo, foram obrigados a fortalecer o amor da nova pátria com o interesse da propriedade.

Todos os que tinham morado um ano e um dia numa mesma casa e numa terra cultivada, deviam ser reconhecidos como seus legítimos possuidores; todos os direitos de posse ficavam aniquilados por uma ausência da mesma duração.

O primeiro cuidado de Godofredo foi reprimir as hostilidades dos muçulmanos e de aumentar a extensão do reino, cuja defesa lhe havia sido confiada.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Os Papas percebem a necessidade da Cruzada, mas os príncipes não ouvem bem

Bem-aventurado Papa Urbano II convocou a Cruzada contra o Islã
continuação do post anterior

Em 1075, o grande papa Gregório VII já pressionava avidamente os príncipes cristãos à guerra santa, prevista por Carlos Magno, implorada por Silvestre II.

Ele impôs, neste mesmo ano, a peregrinação de Jerusalém ao abominável Cencius, que tinha odiosamente atentado contra sua liberdade e sua vida.

50 mil cristãos se levantaram, contudo, faltavam-lhes chefes, pois os príncipes cristãos se mantinham surdos.

Em 1085, Roberto, o Frísio, tendo se associado ao governo dos Estados de Flandres, seu filho primogênito, Roberto II, partiu para a santa viagem, mais ou menos ao mesmo tempo em que Berenguer II, conde de Barcelona; Fréderic, conde de Verdun, e Conrado, conde de Luxemburgo, a quem a santa peregrinação estava prescrita em expiação, assim como havia sido para Roberto da Normandia, a Fulque d'Anjou, a Frotmond e a outros personagens culpados por assassinatos ou rebelião.

Depois de longas vicissitudes, Roberto, o Frísio, e seus companheiros puderam, pela força do dinheiro, adorar seu Deus sobre o Calvário.

Eles voltaram somente em 1091, e Roberto passou a se ocupar somente de sua salvação.

Contudo, ele enviará tão logo seu filho para a Cruzada. Ele tinha visto, na Palestina, reinos à conquistar.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Cristãos resistem assalto maometano em Ramla



continuação do post anterior


Dez anos depois (no ano 1064), 7 mil cristãos franceses e alemães partiram juntos para Jerusalém.

Guilherme, bispo de Utrecht; Sigefroi, bispo de Mayence; Gunther, bispo de Bamberg; Otton, bispo de Ratisbona e muitos outros senhores das duas nações fizeram parte desta tropa. J. Voigt citou um episódio curioso desta grande peregrinação [Histoire du pape Grégoire VII e de son siècle, c.III e VIII]:

“Esses peregrinos, diz ele, tiveram a imprudência de revelar suas riquezas no caminho.

“Por toda parte, nos campos e nas cidades que eles atravessavam, corriam-se para admirar seus esplendores.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Muçulmanos iniciaram violências e morticínios contra os peregrinos

continuação do post anterior

De todas as partes, então, entre os cristãos, aqueles que buscavam obter grandes favores, ou expiar grandes quedas, se colocam em peregrinação aos lugares santos juntamente com os fiéis piedosos que para lá se dirigiam possuídos somente pelo amor ao Redentor.

Entre os peregrinos ilustres destes primeiros tempos, citamos São Silvino, bispo regional cujo nome conta na lista dos bispos de Toulouse e na lista dos bispos de Thérouenne. Ele assistiu ao batismo de Carlos Martel;

Santo Arculfo, prelado nas Gálias, que escreveu em seu retorno uma descrição dos lugares santos [Mabillon a conservou nas Acta Benedictorum];

Santo Willibald, bispo de Aichstaldt, na Francônia, e um dos apóstolos da Alemanha. Uma santa religiosa de sua família narrou sua viagem.

Muitos partiram para expiar crimes. Em 868, um senhor da Bretanha francesa, chamado Frotmond, assassino de seu tio e mais jovem de seus irmãos, recebeu absolvição após ter feito três vezes a peregrinação de Jerusalém.

Os rigores contra os cristãos reapareceram sob os fracos sucessores de Carlos Magno.

No século X, eles se tornaram mais violentos; o que não detinha, ainda, o zelo dos peregrinos para a santa viagem.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A cidade santa profanada inspira a Cruzada

Califa Ali Ben Hamet, Theodore Chasseriau (1819 – 1856)
continuação do post anterior

Omar, sucessor do Profeta, imediatamente edificou uma mesquita no lugar aonde estava levantado o templo de Salomão. Não atormentando, contudo, os cristãos.

Somente após sua morte, em 644, que as ignomínias e as espoliações vieram experimentá-los; os peregrinos foram obrigados a pagar um tributo para ter o direito de se prosternar no Calvário.

O tributo que se exigia dos peregrinos na entrada da cidade santa, inicialmente leve, logo tornou-se pesado, e aqueles fiéis que guardavam os lugares santos caíram rapidamente sob uma tirania odiosa.

Carlos Magno se encontrava bastante ocupado, assim como foram Carlos Martel e Pepino, com suas guerras contras os frísios e os saxões, guerras que eram verdadeiras cruzadas, mesmo que esse nome não tivesse ainda sido cunhado.

Carlos Magno envia então ao califa Haroun-al-Raschid, o chefe supremo do islamismo em Bagdá, um embaixador encarregado de reclamar a liberdade dos cristãos.

Haroun, antipático aos heróis do Ocidente, como dizem os historiadores, pois ele admirava somente a si mesmo, contudo, temendo os exércitos do grande chefe dos francos, cujo renome já havia chegado até ele (visto em uma carta de Silvestre II) [Gerberti Epist. 107].