As Cruzadas: Raimundo
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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Males causados pela interrupção das Cruzadas

São Luis IX rei da França, estátua equestre, EUA.
São Luis IX rei da França, estátua equestre, EUA.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Nunca, talvez, a palavra epopeia foi melhor empregada do que falando das cruzadas.

Nunca a atração do Oriente se manifesta com mais ardor e, apesar dos aparentes fracassos, conduz a mais espantosas realizações.

Basta evocar as fundações dos “francos” na Terra Santa: feitorias dos comerciantes, estabelecimentos organizados que formam verdadeiras cidadezinhas, com sua capela, banhos públicos, entrepostos, habitações dos mercadores, sala do tribunal e de reuniões; praças-fortes, cuja massa desafia ainda o solo, como o krak dos cavaleiros, o castelo de Saône e as fortificações do Tyr; e ainda feitos de armas extraordinários, como os de Raymond de Poitiers ou de Renaud de Châtillon, que fazem pensar que as Cruzadas, posta à parte a sua finalidade piedosa, foram um feliz derivativo para o ardor efervescente dos barões.

A Europa perderá muito no século XIV, quando a sua atenção se afasta do Oriente.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Os turcos esmagados em Kerbogha ‒ Gesta Dei per Francos 15





A partir dessa hora [N.R.: do achado da Santa Lança] reunimos-nos em conselho de batalha. Imediatamente, todos os nossos líderes decidiram o plano de enviar um mensageiro para os Turcos, inimigos de Cristo, para perguntar-lhes afirmativamente:

‒ “Por que motivo entrastes insolentemente na terra dos Cristãos, e por que acampastes, e por que matais e assaltais os servos de Cristo?”

Quando seu discurso já tinha terminado, encontraram a Pedro o Eremita e Herlwin, e disseram-lhes o seguinte:

‒ “Ide para o exército maldito dos Turcos e cuidadosamente dizei-lhes tudo isso, perguntando-lhes porque eles ousada e arrogantemente entraram nas terras dos Cristãos e nas nossas próprias”.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Raimundo de Toulouse: as intrigas do imperador Alexio I Comneno ameaçam a unidade da Cruzada ‒ Gesta Dei per Francos 7

Alexios Komnenos



O Conde de St. Gilles, no entanto, foi instalado fora da cidade em um subúrbio de Constantinopla.

Assim, o Imperador ordenou ao Conde que prestasse homenagem e juramento de fidelidade a ele, como os outros haviam feito.

E enquanto o Imperador fazia essas demandas, o Conde meditava como ele poderia vingar-se do exército do Imperador.

Mas o Duque Godofredo e Roberto, Conde de Flandres, e os outros príncipes disseram a ele que seria injusto lutar contra os Cristãos.

O sábio Boemundo também disse que se o Conde fizesse qualquer injustiça ao Imperador, e se recusasse a prestar-lhe juramento de fidelidade, ele próprio tomaria o partido do Imperador.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Godofredo de Bouillon descreve ao Papa Pascoal II a Primeira Cruzada (1099) ‒ II

Godofredo de Bouillon, Bruxelas
continuação do post anterior

E tendo o exército sofrido muito durante o cerco [de Jerusalém], especialmente por conta da falta d’água, um conselho foi realizado e os bispos e príncipes.

Eles ordenaram que todos marchassem com pés descalços ao redor das muralhas da cidade, a fim de que Ele, que nela entrou humildemente por amor a nós, seja movido por nossa humildade a fim de abrir-nos as portas da cidade e julgar seus inimigos.

Aplacou-Se Deus com essa humildade e no oitavo dia depois da penitência entregou-nos a cidade e os seus inimigos.

Era de fato o dia em que a igreja primitiva fora dali expulsa e em que se comemora a dispersão dos Apóstolos. E se vós desejais saber o que foi feito com os inimigos que lá se encontravam, saibais que no Portal de Salomão e do seu templo nossos homens cavalgavam no sangue dos sarracenos até os joelhos dos cavalos.

Tomada de Jerusalém
Então, quando estudávamos quem deveria defender a cidade, e alguns, movidos pela saudade de seu país e de seus parentes queriam voltar para casa, foi-nos anunciado que o rei de Babilônia chegara a Ascalon com uma incontável multidão de soldados.

Seu propósito, como ele mesmo disse, era levar os francos que estavam em Jerusalém para o cativeiro e tomar Antioquia de assalto.

Mas Deus tinha outros planos para nós. Assim, soubemos que o exército dos babilônios estava em pé de guerra para nos atacar, porém eles não tinham armas confiáveis.

Não pode haver dúvida de quão grandes foram seus despojos, pois os tesouros do rei da Babilônia foram capturados. Mais de 100 mil mouros ali morreram a fio de espada.

Além disso, seu pânico foi tão grande que cerca de 2.000 foram sufocados na entrada da cidade. Inúmeros morreram no mar. Muitos pereceram enredados nas moitas.

Todos os elementos certamente lutaram por nós, e se muitos de nós não tivéssemos parado para saquear o acampamento, uma grande multidão de inimigos não teria escapado.

E embora possa ser entediante, o seguinte não deve ser omitido: no dia anterior a batalha o exército capturou milhares de camelos, bois e ovelhas.

Por ordem dos príncipes, foram eles divididos entre as pessoas. Ao avançarmos para a batalha, deu-se um fato maravilhoso: os camelos formaram-se em vários esquadrões e as ovelhas e bois fizeram o mesmo.

Todos esses animais nos acompanhavam, parando quando parávamos, avançando quando avançávamos, e atacando quando atacávamos. As nuvens nos protegiam do calor do sol e nos refrigeravam.

Assim, após celebrar a vitória, o exército voltou a Jerusalém. O duque Godofredo lá ficou; o conde de Saint Gilles, Roberto, conde da Normandia, e Roberto, conde de Flandres, voltaram a Laodicéia. Ali encontraram a frota dos pisanos e de Boemundo.

Bronze de Godofredo de Bouillon. Fundo: igreja do Santo Sepulcro
Tendo o arcebispo de Pisa obtido um acordo de paz entre Boemundo e nossos chefes, Raimundo preparou-se para voltar a Jerusalém pelo amor de Deus e dos irmãos.

Assim, conclamamos a todos os senhores da Igreja Católica de Cristo e de toda a Igreja latina a exultaram com a admirável bravura e devoção de vossos irmãos.

Com a gloriosa e tão desejável recompensa de Deus onipotente, e com a muito e devotamente esperada remissão de nossos pecados pela graça de Deus.

E rogamos que Ele faça com que todos vós –bispos, clero e monges de vida devota, e todo o laicato – se sentem à mão direita de Deus, que vive e reina por todos os séculos dos séculos.

E vos pedimos e rogamos em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que permanece sempre conosco e nos livra de todas as tribulações, que cuidem bem de nossos irmãos que a vós retornam, fazendo-lhes gentilezas e pagando suas dívidas, para que Deus os recompense e absolva de todos os vossos pecados e vos conceda uma participação nas bênçãos que nós e eles temos merecido diante do Senhor. Amém.

Laodicéia, Setembro de 1099



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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Godofredo de Bouillon descreve ao Papa Pascoal II a tomada de Jerusalém (1099) ‒ I

Godofredo de Bouillon. Fundo: igreja do Santo Sepulcro


Godofredo e Raimundo Daimbert ao senhor Pascoal, Papa da Igreja Romana, a todos os bispos e a todo o povo cristão, ao arcebispo de Pisa, o duque Godofredo, agora, pela graça de Deus, Defensor da Igreja do Santo Sepulcro; Raimundo, conde de Saint Gilles, e todo o exército de Deus, que está na terra de Israel, saudação.

Multiplicai vossas súplicas e orações diante de Deus com alegria e ação de graças, pois Deus manifestou sua misericórdia em nossas mãos cumprindo o que prometeu em tempos antigos.

De fato, após a captura de Nicéia, todo o exército, composto por mais de trezentos mil soldados, dali partiu. E, embora esse exército fosse tão grande que ainda que tivesse tomado a Romania toda em um só dia, teria bebido a água de todos os rios e comido tudo aquilo que cresce. Mas, o Senhor o conduziu em meio a tão grande abundância que um carneiro se vendia por um centavo e um boi por doze centavos ou menos.

Além disso, embora os príncipes e reis dos sarracenos tenham se levantado contra nós, pela vontade de Deus foram facilmente vencidos e dominados.

E como alguns se orgulhavam desses sucessos, Deus levantou contra nós Antioquia, inexpugnável à força humana. Ele ali nos deteve por nove meses e de tal maneira fomos humilhados no cerco que apenas uma centena de bons cavalos sobrou em nosso exército inteiro.
Godofredo de Bouillon, afresco, Palazzo Trinci, Foligno, Itália

Deus, entretanto, abriu para nós a abundância de sua bênção e misericórdia e nos levou para a cidade, entregando em nossas mãos os turcos e todos os seus bens.

Na medida em que pensávamos que estes foram adquiridos por nossa própria força e não por um auxílio de Deus, a fim de louvá-lO dignamente pelo feito, fomos cercados por tão grande multidão de turcos que ninguém atrevia aventurar-se em qualquer ponto da cidade.

Por outro lado, ficamos tão enfraquecidos pela fome que dificilmente alguns puderam abster-se de comer carne humana. Seria fastidioso narrar todas as desgraças que sofremos naquela cidade.

Mas Deus deitou os olhos sobre o Seu povo a quem tinha tanto castigado e misericordiosamente consolou-o.

Assim, primeiramente revelou-nos, como recompensa por nossa tribulação e como penhor de vitória, Sua lança que tinha ficado escondida desde os tempos dos Apóstolos.

Em seguida, fortificou de tal modo os corações dos homens, que os que não conseguiam andar por causa de fome ou doença foram dotados de força para tomar armas e lugar corajosamente contra o inimigo.

Godofredo de Bouillon. Fundo: viela de Jerusalém
Depois de triunfar sobre o inimigo, como o nosso exército estava se desfazendo em Antioquia por doença e cansaço e foi especialmente prejudicado por dissensões entre seus líderes, seguimos para a Síria, onde atacamos Barra e Marra, cidades dos sarracenos, e conquistamos as fortalezas daquele país.

E enquanto lá nos atrasávamos, foi tão grande a fome no exército que o povo cristão passou a comer os corpos já podres dos sarracenos.

Finalmente, por divina admoestação, entramos no interior da Hispania (região à margem direita do rio Orontes, que se estende em direção ao leste, perto da antiga Apaméia), e a mão abundante, misericordiosa e vitoriosa do Pai onipotente estava conosco.

As cidades e fortalezas do país pelas quais passávamos enviaram-nos embaixadores com muitos presentes e se ofereceram para ajudar-nos e entregar-nos suas fortalezas.

Mas nosso exército não sendo grande e havendo um desejo unânime de apressar a ida a Jerusalém, aceitamos as suas promessas e os fizemos nossos tributários.

Uma dessas cidades, situada no litoral, tinha mais homens do que todo nosso exército. E quando os que se encontravam em Antioquia, Laodicéia e Archas souberam como a mão do Senhor estava conosco, muitos do exército que haviam permanecido nas cidades seguiram-nos a Tiro.

Assim, protegidos e ajudados pelo Senhor, continuamos até Jerusalém.

continua no próximo post.

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