As Cruzadas

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A Primeira Comunhão do cruzado Vivien antes de subir ao Céu

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








No campo de Aliscans, o exército cristão, comandado por Guilherme d’Orange – Guilherme do Nariz Curvo – tinha sido derrotado pelos sarracenos.

Podiam-se contar apenas quatorze sobreviventes.

Próximo a uma fonte, em um prado, jazia um jovem, quase menino.

Apesar disto era um guerreiro que nunca havia recuado.

Tratava-se de Vivien, sobrinho de Guilherme, a quem ele amava como a um filho.

Percorrendo o campo de batalha ele reconhece Vivien e o crê morto, mas este faz um leve movimento.

Docemente o nobre duque se inclina e lhe murmura ao ouvido:

“Tu não gostarias de comungar Nosso Senhor Eucarístico?”, e Guilherme lhe mostrou uma Hóstia consagrada.

“Porém – continuou – é preciso que faças tua confissão”.

– “Eu quero muito, responde uma voz fraca, mas apressai-vos; eu vou morrer.

“Tenho fome deste pão, eis minha confissão.

“Não me recordo de uma só falta a não ser esta: eu tinha feito o voto de jamais recuar um passo diante dos pagãos, e tenho muito medo de haver hoje faltado com a promessa feita ao bom Deus”.

Guilherme do Nariz Curvo tira a Hóstia de uma teca que trazia ao peito e a aproxima dos lábios entre-abertos de Vivien, cujos olhos se iluminam.

A morte lhe desceu ao coração, quando acabou de fazer sua primeira comunhão.


(Fonte: Funck Brentano, "Féodalité et Chevalerie", Les éditions de Paris, Paris, 1946)




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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Socialismo escandinavo
vira inferno de igualitarismo e invasão étnico-cultural

Solidão e depressão nórdica.
Solidão e depressão nórdica.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs


Costuma-se ainda a apresentar os países escandinavos como um paraíso material resultante de um igualitarismo avançado.

Neles os sistemas públicos seriam exemplares, os rankings de felicidade entrariam no ‘top 10’, e a igualdade de gênero teria tornado invejáveis a vida e o progresso social.

Porém, a verdade está longe dessa fachada de modernidade igualitária bem-sucedida, conforme registrou reportagem do jornal portenho “La Nación”. “Existe um lado mais obscuro, conhecido por poucas pessoas”, escreve.

“Esses países parecem deslumbrantes. Muitos não enxergam além da ‘felicidade’, da riqueza, da abertura e da democracia.

“Acredito que as pessoas queiram achar que existe em algum local do mundo uma utopia maravilhosa”, explica o jornalista inglês Michael Booth, autor do livro Pessoas quase perfeitas. O mito da utopia escandinava.

Na última década, a residência de “Alice no país das maravilhas” e de Papai Noel foi imaginada na Escandinávia.

Porém, quando quanto mais alto se sobe no mito, mais dolorida é a queda na realidade.

A Suécia, país de 9,9 milhões de habitantes, é o mais conhecido do maravilhoso país de Alice por seu modelo de suposto bem-estar material.

Seu sistema estatal, intensamente socializado, faz de cada indivíduo um ser plenamente independente, pelo menos na teoria.

Mas o resultado final foi inesperado e devastador: a solidão se transformou em epidemia. A metade dos suecos vive sozinha e um de cada quatro morre sem ter quem o acompanhe.

Islândia: à testa do consumo mundial de antidepressivos
Islândia: à testa do consumo mundial de antidepressivos
O documentário “A teoria sueca do amor” exibe essa crua realidade com o caso de um homem achado morto em seu apartamento dois anos após o óbito. Suas contas caíam no débito automático e os vizinhos nem ligaram para a sua longa ausência.

O famoso etnólogo sueco Ake Daun conta no livro A mentalidade sueca que é comum as pessoas subirem pela escada para não se encontrarem com alguém no elevador, “de medo de não serem capaz de excogitar algo sobre o que falar”.

Segundo inquérito privado do Banco HSBC, embora a Suécia seja tida como 8º melhor país do mundo para se viver e trabalhar, no quesito amizade está no último lugar dos 46 países estudados.

A Islândia, recentemente muito louvada pelos seus sucessos no futebol, é um dos países que más consume antidepressivos no mundo.

E não é porque seus cidadãos não vivem felizes, pois, segundo a ONU, é o 4º país mais feliz do mundo, além de ser apresentado pela mídia como modelo de vida saudável.

É porque 11,8% de seus 334.000 habitantes consomem antidepressivos diariamente, segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE). A Islândia está no primeiro lugar em nível mundial nesse negro recorde.

Segundo Andreas Vilhelmsson, doutorado em Saúde Pública pela Universidade de Lund, Suécia, as investigações “sugerem que, a pesar do aumento do consumo dos antidepressivos, não se constata um impacto positivo na saúde pública”.

Alguns especialistas atribuem essa depressão generalizada ao isolamento geográfico, ao frio e à falta de sol. Mas é uma teoria.

Consumo de heroína em Oslo é recorde na Europa.
Consumo de heroína em Oslo é recorde na Europa.
Fora da Finlândia, o país é sinônimo de igualdade de oportunidades. Em 2017 ficou como o terceiro país mais igualitário em matéria de igualdade de chances para os sexos.

Mas a fachada estatística esconde que a taxa de violência de gênero é das mais elevadas do mundo.

Os investigadores espanhóis Enrique García e Juan Merlo, da Universidade de Valencia (Espanha) e de Lund (Suécia), cunharam a expressão “paradoxo nórdico” para tentar explicar essa chaga social que também aflige a Noruega, a Suécia e a Dinamarca.

Eles tentaram explicar o “paradoxo” com o consumo de álcool. Mas García explicou que isso é “só uma hipótese possível” entre outras.

O Swedish Research Council concede verbas para que os cientistas tentem decifrar o enigma. Mas eles não acham explicação na ciência, prescindindo, é claro, da moral e da religião.

A Noruega nada no petróleo e nenhum país do mundo a supera no tocante às benesses distribuídas pelo Estado. Mas o mal-estar generalizado induz ao consumo de heroína em volumes preocupantes.

É o país escandinavo mais rico e o mais desenvolvido do planeta, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), elaborado pela ONU.

Porém, possui a terceira maior taxa de mortes por overdose de drogas na Europa: 81,5 por milhão, quando a média europeia é de 21,8 por milhão, segundo o Observatório Europeu das Drogas e das Toxicomanias (OEDT).

Alto consumo de alcool e violência familiar na Finlândia.
Alto consumo de alcool e violência familiar na Finlândia.
A mortalidade tão elevada é atribuída à combinação de álcool com excesso de heroína, que hoje está sendo substituída por drogas sintéticas.

Para “resolver” o problema, em dezembro de 2017 o Parlamento despenalizou as drogas. Os viciados não responderão mais à Justiça, mas serão tratados pelo Ministério da Saúde.

Na Dinamarca, a paz social desapareceu. Seus 5,7 milhões de habitantes foram rachados ao meio, colididos pelo fluxo migratório islâmico e africano.

Alguns preferem continuar como um povo pequeno, mas homogêneo, pacificamente instalado em sua península e suas ilhas.

Mas desde 2015 uma torrente de imigrantes ilegais ingressou no país, desfazendo a unidade social.

A chamada ‘ultradireita’ – incarnada especialmente pelo Partido Popular Dinamarquês (DF), o mais votado nas últimas eleições – ergueu o machado viking de guerra. E pediu o confisco dos bens dos recém-chegados, para custear a permanência deles no país. A lei não passou, mas o país rachou.

“Nos países nórdicos, os partidos anti-imigração dominam o discurso político. Todos viram para a direita.

“A Dinamarca, que está na ‘linha de frente’ junto com a Alemanha [n.r.: diante da afluência de imigrantes ilegais], impôs unilateralmente regras muito draconianas”, explicou ainda o jornalista inglês Michael Booth.

Dinamarca atritos raciais e ideológicos com os imigrantes romperam a paz social.
Dinamarca atritos raciais e ideológicos com os imigrantes romperam a paz social.
Uma delas consistiu em desmanchar guetos (já há 22 no país) formados pelos imigrantes. O governo anunciou que derrubaria prédios para forçá-los a “se misturarem com pessoas de origem diferente”, leia-se dinamarqueses.

Crimes de toda espécie explodiram, sobretudo nas mal afamadas áreas dos guetos. A lei irá puni-los com penas dobradas.

Isso feito, a guerra étnica, cultural, social, religiosa e legal se desdobrará em proporções assustadoras em todos os países escandinavos.

Em suma, a utopia igualitária está tendo um resultado catastrófico.

Mas a mídia continua nos apresentando esses caldeirões em ebulição como sendo ainda o mundo maravilhoso de Alice.



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Papa São Pio V convoca reis católicos à guerra contra os turcos

Visão de São Pio V da vitória cruzada de Lepanto (basílica de Fourvières, Lyon)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Carta de São Pio V aos reis cristãos pedindo ajuda militar para a Ordem de Malta sitiada pelos turcos em sua ilha (8-12-1567):


"Eis o que foi bem estabelecido e é bem certo: nosso poderoso inimigo, o Sultão dos Turcos, prepara com os mais minuciosos cuidados uma frota considerável, sem precedente, uma armada e exército importantíssimos.

"Ele completa todos os preparativos que se fazem necessários, com o único fim de se precipitar o mais cedo possível contra Malta, para abater a Ordem Militar de São João, por ele particularmente odiada, e submeter essa ilha.

"Diz-se que dela deseja se apoderar, não só pelas grandes vantagens que oferece sob o ponto de vista estratégico, mas também, e mais ainda, em razão da humilhação por ele sofrida no sítio precedente.

Malta
"Como a tais forças a Ordem não pode de forma alguma resistir, nosso caro filho Jean de la Valette, seu Grão-Mestre, é obrigado a implorar o socorro dos príncipes cristãos contra o inimigo comum, o inimigo do Cristianismo.

"Não duvidamos que Vossa Majestade e seu povo venham em nosso socorro, tanto mais espontaneamente aliás, pois é de seu maior interesse que uma ilha assim próxima da Sicília e da Itália não caia em mãos inimigas.

* * *

A nosso caríssimo filho em Cristo, Carlos, Rei cristianíssimo da França:


Jean de la Valette vê-se na obrigação de apelar para todos os príncipes cristãos contra o inimigo comum do Cristianismo.

A defesa da ilha de Malta parece, no momento, ser mais importante para alguns povos do que para outros.

Entretanto, trata-se incontestavelmente da salvação de todos os príncipes cristãos e de toda a Cristandade. Não ignoramos, filho cristianíssimo, quais dificuldades deveis enfrentar... (12-12-1567).

* * *

A nosso filho caríssimo, o nobilíssimo Pedro Loredano, Doge de Veneza:


Palácio da Ordem de Malta, Malta
.
Os cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém são obrigados a socorrer-se de todos os príncipes cristãos.

Eles têm mais coragem que recursos para fazer face a um inimigo assim poderoso e pérfido, para contê-lo e expulsá-lo.

Essa ilha é a cidade da Cristandade inteira.

Se (Deus não o permita!) ela vier a cair em poder do inimigo, pela negligência dos príncipes cristãos, não haveria mais tempo para gemer e arrepender-se (19-1-1567).


(Fonte: François Garnier, "Journal de la Bataille de Lépante, présenté et commenté par", Editions de Paris, 1956 - p. 41)


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segunda-feira, 30 de julho de 2018

Teoria e tradição da guerra justa

A conferência promovida pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
A conferência promovida pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira promoveu no dia 28 de maio último mais uma importante conferência no Club Homs.

O tema guerra justa foi desenvolvido pelo Dr. Pedro Erik Carneiro, PhD em Relações Internacionais, Mestre em Economia pela Universidade de Brasília e especialista em Doutrina e Teologia Católica pelo New Saint Thomas Institute dos Estados Unidos.

Na sua saudação ao conferencista, o Dr. Eduardo de Barros Brotero, diretor do Instituto, afirmou que certamente o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira desejaria estar presente a essa conferência, pois o tema sempre lhe interessou.

Ressaltando que tomaria como base para a conferência o seu livro Teoria e Tradição da Guerra Justa – Do Império Romano ao Estado Islâmico, o Dr. Pedro Erik explicou que o interesse pelo assunto remonta ao seu tempo na Universidade de Cambridge.

Como seus professores afirmavam desconhecer qualquer matéria publicada na América do Sul sobre o assunto, resolveu pesquisar exaustivamente, resultando esse estudo cuja primeira parte trata da guerra justa em si mesma, desde os seus primórdios até os santos que foram guerreiros; e a segunda mostra como a guerra justa é considerada pelos Papas e pelos terroristas do nosso século.

O Beato Papa Urbano II convocou as gloriosas Cruzadas  para libertar a Terra Santa invadida e devastada pelo Islã. Estátua pública em Châtillon-sur-Marne, França.
O Beato Papa Urbano II convocou as gloriosas Cruzadas
para libertar a Terra Santa invadida e devastada pelo Islã.
Estátua pública em Châtillon-sur-Marne, França.
Uma primeira pergunta que se põe é a seguinte: A Igreja Católica é uma instituição pacifista?

A resposta é que a Igreja prega a paz de Cristo, mas não é pacifista no sentido do pacifismo hippie da atualidade.

Diversos santos, doutores e teólogos da Igreja Católica defenderam a guerra justa, e várias passagens bíblicas e do Catecismo romano contêm definições no mesmo sentido.

Lembrou que Santo Agostinho, considerado o pai da Teoria de Guerra Justa, é autor desta afirmação:

“Os males reais em guerra são o amor pela violência, a crueldade vingativa, a inimizade feroz e implacável, a resistência selvagem, a ambição de poder, coisas dessa natureza.

“Para punir essas coisas, geralmente é necessário aplicar a força para infligir o castigo, fazendo bons homens empreender guerras em obediência a Deus ou a alguma autoridade legal”.

Com outras citações e exemplos, o conferencista deixou claro que existe uma guerra justa, e que os cristãos têm o direito de se defender.

E mais: quando estão em guerra contra um inimigo da fé, agem de acordo com a Justiça.

Quando o Sultão al-Malik al-Kamil acusou os cristãos diante de São Francisco de Assis, alegando que deviam “dar a outra face” de acordo com o Evangelho, o “poverello” redarguiu:

“Parece-me que vós não lestes todo o Evangelho. Em outra parte, de fato, está dito: Se teu olho te escandaliza, arranca-o e joga-o longe de ti (Mt 5,25).

São Francisco de Assis diante do sultão
“No caso de um homem que fosse nosso amigo ou parente, a quem nós amássemos como a pupila do olho, devemos estar dispostos a separá-lo e afastá-lo de nós, até arrancá-lo de nós, se ele tenta nos afastar da fé e do amor de nosso Deus.

“Exatamente por isto, os cristãos agem de acordo com a Justiça quando invadem vossas terras e vos combatem, porque vós blasfemais contra o Nome de Cristo e vos empenhais em afastar de sua Religião todos os homens que podeis.

“Se, pelo contrário, vós quiserdes conhecer, confessar e adorar o Criador e Redentor do mundo, eles vos amariam como a si próprios”.

Ao final da conferência, o Dr. Mario Navarro da Costa lembrou que Plinio Corrêa de Oliveira previu, na década de 1940, o perigo islâmico que hoje ameaça concretamente o Ocidente.

Muitos dos seus artigos e previsões sobre o tema podem ser lidos no site Plinio Corrêa de Oliveira.info.



Vídeo: A conferência do Dr. Pedro Erik Carneiro:















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