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sábado, 13 de outubro de 2018

Para ouvir e anunciar a Palavra de Deus

“Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro, sessenta, e outro, trinta” Mt 13.23

Para ouvir e anunciar a Palavra de Deus

A lição desta semana trata acerca de uma das parábolas de nosso Senhor mais conhecida, a Parábola do Semeador. Tal parábola marca o início do chamado aos discípulos de Jesus para proclamar o Evangelho a toda a criatura. A presente lição, não obstante, está estruturada em três tópicos seguintes:

(1) Interpretação da Parábola do Semeador;
(2) A importância de ouvir o Evangelho;
(3) O chamado para anunciar o Evangelho.

Uma realidade que precisa ser destacada

Ao menos duas realidades podem ser destacadas com a exposição da Parábola do Semeador:

(1) a pregação do Evangelho não germinará em todos os corações;

(2) o coração humano é muito vulnerável às circunstâncias exteriores da vida.

Nosso Senhor mostrou que, em sua grande seara, há o semeador, a semente e o solo. O semeador deve semear a semente em todos os solos. Entretanto, quem semeia deve ter a consciência acerca dos vários tipos de solos existentes. Estes representam o coração humano, bem como a dimensão da existência. Veja a tabela abaixo em que correlacionamos o significado com os símbolos presentes na parábola:


É preciso falar de Cristo e orar para que os ouvintes recebam a Palavra, e tornem-se seguidores do Mestre.

Texto Bíblico - Marcos 4.3-20

INTRODUÇÃO

Para ilustrar verdades espirituais, Jesus frequentemente contava, por parábolas, histórias sobre os acontecimentos do dia a dia. A parábola do semeador é uma das narrativas de Jesus encontrada nos três Evangelhos sinóticos (Mt 13.1-9, Mc 4.3-9 e Lc 8.4-8) e relata de que forma a mensagem de salvação será recebida no mundo. Um dos seus propósitos é prevenir os discípulos com relação ao triste fato de a pregação da Palavra de Deus não produzir “colheita de cem por cento” em todos os ouvintes. Além disso, a parábola do semeador pode ser interpretada como “a parábola do coração”, pois mostra como é o interior de cada pessoa.


I. INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA DO SEMEADOR

1. A importância em compreender a parábola.

A parábola do semeador é uma das mais importantes, não apenas por constar nos três primeiros Evangelhos, mas também por ser fundamental para o entendimento de outras. Por essa razão, é necessário comparar e contrastar as referências paralelas a cada narrativa. Desse modo, teremos um quadro completo do que o Senhor Jesus disse sobre o Reino do Céu, já que a narrativa refere-se ao Reino. Essa história fala de um agricultor que lançou sementes em vários lugares com diferentes resultados, dependendo do tipo do solo (Mc 4.3-20). Para se entender essa parábola, é preciso recorrer ao contexto de Mateus 13.18-23, quando o próprio Senhor Jesus a interpretou.

2. Os elementos que constituem a Parábola: o Semeador, a semente e o solo.

No mesmo capítulo da parábola do semeador, ao explicar a parábola do trigo e do joio, o Mestre apresenta-se como o semeador (Mt 13.36-43). Daí, ainda que não especificamente mencionado, é possível inferir que o Semeador é Jesus, pois se compararmos o texto dessa parábola com o de Mateus 13.37, podemos concluir que há uma referência imediata com o Senhor. Contudo, por extensão, podemos igualmente entender que o semeador também pode ser qualquer pessoa que fielmente proclama a mensagem do Evangelho nos nossos dias. Quanto à semente, esta é a Palavra de Deus ou “a palavra do Reino” (Mt 13.19a) que, como sabemos, era o tema da pregação de Jesus (Mt 4.23) e da pregação apostólica (At 8.12; 28.30,31). Já o “solo”, é algo muito importante para qualquer planta. Por isso, os cristãos precisam desenvolver suas raízes por meio da fé em Cristo e do estudo da Palavra cada vez mais profundo. Tempos difíceis virão, e somente aqueles que tiverem desenvolvido suas raízes abaixo da superfície, sobreviverão.

3. Os diferentes tipos de solos infrutíferos.

As pessoas que ouvem a Jesus são comparadas com vários tipos de solo (Lc 8.5-8). O solo duro e compactado da estrada impediu que as sementes penetrassem, permitindo que ficassem na superfície, expostas às aves que vieram e as comeram. Este solo representa aqueles que “ouvem e não entendem” (Mt 13.19a), por isso endurecem o coração para não receberem a Palavra (Mt 13.15). As aves representam Satanás (Mc 4.15), que arrebata a Palavra dessas pessoas, cujos corações estão endurecidos. As sementes que caíram sobre pedregais (vv.16,17), onde não havia muita terra, e, como consequência, cresceram rapidamente, acabaram secas num instante (v.6). Este solo raso representa as pessoas que ouvem a Palavra e a recebem com grande alegria, porém, quando surgem as dificuldades, as tribulações ou as perseguições por causa do Evangelho, elas não resistem e imediatamente tropeçam (Mt 13.20,21). Daí a necessidade de um maior embasamento na Palavra de Deus recebido através de um bom discipulado e frequência na Escola Dominical. Já as sementes que caíram entre espinhos são sufocadas quando estes crescem e roubam o alimento, a água, a luz e o espaço dos brotos. Infelizmente existem forças capazes de sufocar a mensagem, de forma a torná-la infrutífera (v.18). Este solo representa aqueles que “ouvem a palavra”, mas cuja capacidade para gerar fruto é sufocada. Jesus descreveu os espinhos como “os cuidados deste mundo”, “a sedução das riquezas” e “os prazeres da vida” (Mt 13.22; Mc 4.19; Lc 8.14; 12.29-32; 21.34-36). As distrações e os conflitos impedem os novos crentes de refletir e aprender a Palavra de Deus a fim de crescerem. Essas coisas, produzidas pela ambição das coisas materiais atormentaram os discípulos do primeiro século, da mesma forma como acontece nos dias atuais, distraindo os crentes de maneira que permaneçam infrutíferos, não produzindo nenhuma colheita.

II. A IMPORTÂNCIA DE OUVIR O EVANGELHO

1. O tipo ideal de solo.

A parábola do semeador é uma descrição das várias respostas ao “ouvir” a Palavra de Deus e, seguramente, retrata as reações que Jesus encontrou no seu próprio ministério. A parábola adverte contra o ouvir superficial, mas também alimenta a expectativa do ouvir real e produtivo, que leva à obediência, e não devemos esquecer que o verbo grego correspondente a “ouvir” é frequentemente traduzido como “obedecer”. Por isso, o Mestre falou que algumas sementes caíram em boa terra (v.20). Tal terra tinha profundidade, espaço e umidade para crescer, multiplicar e produzir uma boa colheita. Este solo representa as pessoas que “ouvem” a Palavra e a “entendem”, frutificando abundantemente (Mt 13.23; Lc 8.15). Elas são como os bereanos que foram recomendados “porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17.11). São, na verdade, os verdadeiros discípulos, aqueles que aceitaram Jesus, creram em sua Palavra e permitiram que Ele fizesse a diferença em suas vidas (At 17.12).

2. O tipo ideal de ouvinte.

Jesus mostrou que o ato de “ouvir” representa um solo fértil para a mensagem do Reino. Se produzirmos frutos, isso provará que ouvimos. Se aqueles a quem pregamos o Evangelho produzirem frutos, isso mostrará que a semente que plantamos fincou raízes em seus corações. Jesus inicia a parábola do semeador com a palavra “ouvi” (v.3a) e termina com a seguinte advertência: “quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (v.9). Analisando o aspecto material, o solo não é culpado se estiver duro, cheio de pedras ou de espinhos, enquanto que no aspecto espiritual, somos responsáveis se o nosso coração estiver endurecido, ou seja, se não estiver aberto para a Palavra de Deus arraigar-se profundamente, ou deixarmos as coisas deste mundo sufocarem a Palavra.

3. A importância de “ouvir”.

Ao descrever o tipo ideal de solo, Jesus destaca o melhor perfil de ouvinte, mas também a importância de ouvir a Palavra e a conservar “num coração honesto e bom” a fim de dar “fruto com perseverança” (Lc 8.15). Aqui há uma lição para o ouvinte também. O fruto produzido depende da resposta à Palavra. É importante ler, estudar e meditar sobre as Escrituras. A Palavra tem que vir habitar em nós (Cl 3.16), para ser implantada em nosso coração (Tg 1.21). Temos que permitir que nossas ações, nossas palavras e nossas próprias vidas sejam formadas e moldadas pela Palavra de Deus.


“O uso de parábolas era comum entre o povo hebreu, mas Jesus as usava com propósito penetrante, especialmente quando entre os ouvintes aumentava o número daqueles que poderiam interpretar mal ou usar mal os seus ensinos. Uma história poderia captar e conservar naturalmente a atenção; mas, além disso, a parábola examinava o coração, levando a pensamentos e aplicações mais profundos”. Comentário Bíblico Beacon, Volume 6, CPAD, p.246.

III. O CHAMADO PARA ANUNCIAR O EVANGELHO

1. A obra da maior importância.

Uma vez que a condição das pessoas sem Deus é de ignorância espiritual, pois Satanás “encobre” os seus corações para não ouvir o Evangelho (2Co 4.3,4), o maior serviço que qualquer cristão pode, e deve realizar, é semear a boa semente da Palavra de Deus (Ec 11.6). Isso não apenas com os seus lábios, mas também através do testemunho pessoal e da literatura (Fp 1.18). Cristo morreu e ressuscitou para nos salvar de nossos pecados. Agora, todo aquele que nEle crê, e for batizado, não mais será condenado, antes receberá a vida eterna (Mc 16.16; Ef 1.13,14).

2. Jesus e a ordem para pregar.

Recordando que Evangelho significa “boas novas”, “boa notícia”, e que tal boa notícia nada mais é que a salvação em Jesus (Mt 28.18-20; Mc 16.15-18), todos precisam ouvir o evangelho. Jesus nos encarregou de contar as boas notícias às pessoas à nossa volta, pois o evangelho é uma notícia tão boa que não podemos guardar só para nós!

3. A importância de pregar o Evangelho.

É muito importante pregar o evangelho, para que mais pessoas ouçam, creiam e sejam salvas (Rm 10.14,15). Aplicando-se espiritualmente, todos aqueles que seguem a Cristo devem estar sempre ensinando a Palavra, pois quanto mais ela é plantada nos corações, maior a colheita (1Co 3.6,7). É preciso, porém, saber que o que semeia a Palavra (v.14) o faz em todas as qualidades de solo (Is 32.20; Mc 16.15), semeia a Palavra sem observar o vento, nem as nuvens (Ec 11.4-6), semeia a Palavra sem gastar tempo com outra coisa (2Tm 2.4).


CONCLUSÃO

Como vimos, atualmente somos os semeadores, ou seja, a mesma Palavra de Deus pode ser plantada em nossos dias. Todavia, como na parábola, os resultados serão determinados pelo coração daquele que ouve. Lembremos que o nosso papel é pregar e o do Espírito, convencer os pecadores (Jo 16.8-11).



SUBSÍDIO EVANGELÍSTICO

“Ganhar almas foi a suprema tarefa do Senhor Jesus aqui na terra (Lc 19.10; 1Tm 1.15). Paulo, o grande homem de Deus, do Novo Testamento, tinha o mesmo alvo e visão (1Co 9.20). Uma grande parte dos crentes pensa que a obra de ganhar almas para Jesus está afeta exclusivamente aos pregadores, pastores e obreiros em geral. Contentam-se em, comodamente sentados, ouvir os sermões, culto após culto, enquanto os campos estão brancos para a ceifa, como disse o Senhor da seara em João 4.35. O ‘ide’ de Jesus para irmos aos perdidos (Mc 16.15), não é dirigido a um grupo especial de salvos, mas a todos, indistintamente, como bem revela o texto citado. Portanto, a evangelização dos pecadores pertence a todos os salvos” (GILBERTO, Antonio. A Prática do Evangelismo Pessoal. 14ª Edição. RJ: CPAD, 2003, p.10).

Fonte:
Livro de Apoio – As Parábolas de Jesus - As verdades e princípios divinos para uma vida abundante - Wagner Tadeu dos Santos Gaby e Eliel dos Santos Gaby
Lições Bíblicas 4º Trim.2018 - As Parábolas de Jesus - As verdades e princípios divinos para uma vida abundante - Comentarista: Wagner Tadeu dos Santos Gaby

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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Parábola do Semeador

O Semeador

O capítulo 13 de Mateus registrou sete parábolas de Cristo proferidas nas cercanias de Cafarnaum, junto ao mar da Galiléia. Geralmente, Jesus subia na popa de algum barquinho; outras vezes, em terra, colocava-se em algum ponto mais alto, tendo diante de si a planície de Genesaré, e então ministrava ao povo que afluía para ouvi-lo. Forma de comunicação típica do povo do Oriente Médio, em especial na Palestina, o Mestre usava muitas figuras de linguagem para transmitir seus ensinos. Porém, o método mais utilizado foi a linguagem por parábolas.

Jesus foi especialista em usar linguagem figurada. Por esse método de comunicação, Ele conseguia ilustrar as verdades espirituais e morais que desejava ensinar. Para cada parábola, Cristo tinha uma lição especial. E na Parábola do Semeador deixou-nos uma das mais extraordinárias lições sobre os tipos distintos de corações (solos, terrenos), os quais recebem a semeadura.

O versículo 3 diz que Jesus “falou-lhe de muitas coisas por parábolas”. O termo parábola vem da língua grega, e significa, “colocar coisas lado a lado, para que se perceba as semelhanças”, ou pode ser definido como “uma comparação ilustrativa na forma de narrativa”. Jesus, portanto, contava suas parábolas a partir de fatos da vida cotidiana. Nesta parábola, Cristo se volta para a vida agrícola da Palestina a fim de ilustrar a receptividade do Reino de Deus no coração das pessoas.

O SEMEADOR

Antes de qualquer interpretação especulativa e secundária devemos considerar o sentido original do ensino que Jesus queria transmitir àquele povo. Visto que Ele estava contrastando os inimigos do Reino com os verdadeiros discípulos, conforme está retratado no capítulo 12, Mateus organiza seus registros de forma especial e conecta com o capítulo 13, no qual Jesus ensina por parábolas (Mt 13.1-3).

O que aprendemos e interpretamos inicialmente nesta parábola? O contexto da parábola indica o próprio Cristo como “o semeador”. No texto está escrito que: “o semeador saiu. a semear” (v. 3). Por quê? Ao analisar as circunstâncias anteriores no capítulo 12, vemos que Jesus havia se deparado com muita oposição e dureza de coração daqueles ouvintes. Sua mensagem não havia sido bem aceita, especialmente pelos escribas e fariseus que sempre buscavam algo para acusá-lo. Muitas pessoas foram até Ele, e já era o fim da tarde quando Cristo entrou num pequeno barco e dali passou a falar à multidão desejosa (por meio de parábolas) pelos seus ensinos. O ponto de partida da interpretação acerca de quem era o semeador tem um caráter particular, porque indica subjetivamente o próprio Cristo como “o semeador”. Todavia, essa característica particular da interpretação não impede que se dê um sentido genérico aos cristãos como “semeadores”. Não acrescenta nem fere os princípios hermenêuticos que regem a interpretação dessa parábola.

Nesta parábola Jesus teve como objetivo principal mostrar a diferença dos corações quanto à recepção da Palavra de Deus. Era o próprio Cristo revelando a rejeição ao seu ministério por parte dos judeus. Na parábola seguinte, a do Joio e do Trigo (Mt 13.36-43), Jesus se identifica (v.37) como aquele que “semeia a boa semente”. Antes dEle, outros haviam atuado como semeadores da Palavra, especialmente no Antigo Testamento. Porém, foi Jesus, que a si mesmo se referiu como o “Filho do Homem”, para distinguir-se dos demais em singularidade, quem podia e sabia como semear em quaisquer terrenos. A expressão “Filho do Homem” revelava, de modo especial, a humanidade de Jesus, como ser gerado no ventre de uma mulher, sendo, porém, sua geração operada pelo Espírito Santo. Ele é o “semeador” que veio para fazer diferença dos demais “semeadores” (Jo1.11,12).

Espírito Santo também é um semeador da boa semente. Ele é o que inspira os semeadores ao serviço da semeadura e quem rega a semente lançada. Cristo declarou acerca do Espírito e o seu trabalho na vida do pecador: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” (Jo 3.8). Entendemos que essa passagem implica, metaforicamente, numa ação do Espírito semeando a Palavra de Deus. Não significa que o Espírito faça o nosso papel de “semeadores”, ou seja, evangelizadores, mas é Ele quem toca o nosso espírito e somos despertados para espalhar a semente. Como Cristo ascendeu ao Pai, Ele ainda ministra através do Espírito Santo seu Paracleto, e este ministra através dos crentes, nos quais opera pelo seu Espírito (Jo 14.26).

Os cristãos autênticos são os semeadores na dispensação da graça. A missão evangelizadora dos discípulos de Cristo é identificada em dois textos dos Evangelhos (Mt 28.19,20 e Mc 16.20). A missão de Cristo foi a de um semeador e Ele a passou aos seus discípulos, os quais semeiam em toda a terra desde então. O que Jesus começou a ensinar, seus discípulos deram continuidade (At 1.1). Na história inicial da igreja, surgiram outros grandes semeadores, entre os quais Paulo, que se declarava representante de Cristo como semeador, e dizia que: “vis­to que buscais, uma prova de Cristo que fala em mim, o qual não é fraco para convosco; antes, é poderoso entre vós” (2 Co 13.3). Paulo considerava seu ministério como uma semeadura de coisas espirituais (1 Co 9.11). Ao dar testemunho de sua conversão, o apóstolo usa a metáfora do vaso para ilustrar sua utilidade na expansão do nome de Jesus (At 9.15). Paulo, portanto, tornou-se um autêntico semeador da “boa semente” do evangelho de Cristo.

Todo crente em Jesus é um semeador da sua Palavra e, indubitavelmente, encontrará os mais variados tipos de solos para receber a boa semente. Fomos salvos para servir e semear a boa semente e devemos servir com amor e espírito sacrificial (SI 126.6).

Na ótica de Cristo não há uma mera preocupação com expansão e quantidade. Não era apenas a proporção da quantidade de sementes que lançamos sobre a terra, de qualquer maneira, sem critério. Para Jesus, não deveria haver inibição quanto ao ato de semear a boa semente, porque o que interessava mesmo era que a semente fosse semeada, a tempo e fora de tempo, em qualquer solo que estivesse disponível para se lançar a semente. Não se trata de um ato de semear aleatoriamente, mas um ato de confiança no poder da semente para encontrar alguma terra capaz de recebê-la e romper com as dificuldades de sua frutificação. Por outro lado, a falta de critério para a semeadura refere-se ao trabalho cuidadoso do semeador. Tudo o que o semeador tem de fazer é semear. Fazer que cresça a semente é algo que vai além de sua capacidade. É trabalho misterioso, sem a intervenção humana.

A SEMENTE

Os Evangelhos Sinóticos tratam, às vezes, das mesmas narrativas históricas ,porém com a visão do autor do Evangelho. Mateus, Marcos e Lucas narraram a mesma parábola e destacaram nuanças percebidas particularmente por cada um dos autores.

Mateus descreve a “semente” como “a palavra do reino” (Mt 13.19);

Lucas a descreve como “a palavra de Deus” (Lc 8.11);

Marcos, simplesmente, como “a palavra” (Mc 4.15).

Na ótica de Mateus, “a palavra do reino” referia-se à natureza e exigências do Reino messiânico desejado e esperado pelos judeus, mas incompreendido e, de certo modo, rejeitado por eles. Jesus mesmo interpretou sua parábola e destacou alguns solos nos quais as sementes lançadas não germinaram. Ele interpretou esses “terrenos” (solos) como aqueles que não “compreendem ” a sua mensagem ou como aqueles que a rejeitam (Mt 13.13).

Jesus também quis mostrar aos seus discípulos que a semeadura da “boa semente” não podia ficar restrita a um solo específico, ou seja, a um grupo étnico, no caso, os judeus. mas teria uma dimensão global, como está escrito: “Portanto ,ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). A lição básica dessa parábola é que é preciso semear toda a semente. Toda a semente refere-se, essencialmente, à plenitude da mensagem do evangelho da graça de Deus que é Jesus Cristo (At 20.24,25). O evangelho é a semente viva, poderosa, que ultrapassa qualquer elemento físico porque “é poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16). A Bíblia diz que esta “ semente” é “ Viva “ e “incorruptível” (1 Pe 22-25); tem poder e produz fé (Rm 1.16; 10.17); é celestial e divina (Is 55.10,11); imutável e eterna (Is 40.8); pode ser enxertada e salvar (Tg 1.18,21).

Outro aspecto importante que se percebe é que no campo das similitudes tanto o semeador quanto a semente significam o mesmo elemento, que é “a palavra de Deus”. Ora, a Bíblia é a Palavra de Deus tanto quanto Cristo é a Palavra divina. Se a Bíblia é a Palavra viva de Deus, portanto, está cheia de Cristo, que é o Verbo de Deus enviado para salvar o mundo (Jo 1.1). Jesus é o logos de Deus, “o Verbo divino que estava com Deus... se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória” (Jo 1.14). Ele mesmo é a semente. A Palavra escrita dá testemunho de que veio como a Palavra viva (Jo 5.39). Os que recebem “a semente” (a Palavra, Cristo), recebem a vida, porque têm vida em seu nome (Jo 20.30,31). Portanto, a semente que semeamos na terra dos corações humanos não só é a “semente de Cristo”, como também é o próprio Cristo. A semente do Reino dos céus é Ele mesmo, o Rei.

A TERRENO PARA O PLANTIO (M t 13.4-8)

Jesus apresentou sua parábola com muita criatividade, pois destacou quatro tipos distintos de terrenos nos quais a semente podia ser semeada. Figurativamente, o terreno onde cai a semente é o coração das pessoas e a receptividade à semente se apresenta de maneiras diversas. O que aprendemos nesta parábola é que o coração humano é como um terreno que pode receber uma semente e produzir fruto, como também poderá desenvolver dureza e rejeição a qualquer tipo de semente. No plano espiritual, o terreno do coração das pessoas é também espiritual, todavia pode desenvolver disposições favoráveis ou contrárias à recepção das coisas espirituais. Por causa da natureza pecaminosa e rebelde adquirida pelo homem, a disposição do seu coração tornou-se rebelde e endurecida. O que Jesus nos mostra na Parábola do Semeador é que a semente é lançada em quatro tipos de terrenos, mas nem todos serão receptivos à "boa semente”.

O terreno “ao pé do caminho” (w . 4,19)

Naquela época, Jesus procurou conduzir a mente dos seus ouvintes aos caminhos feitos por entre os campos, como podemos exemplificar com o texto de Mateus 12.1, que diz: “Naquele tempo, passou Jesus pelas searas, em um sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas e a comer”. Em suas viagens, Jesus passava por muitos lugares, nas montanhas, nos desertos, às margens do mar da Galileia, junto aos rios e, especialmente, nos caminhos poeirentos entre as plantações, de trigo, cevada, aveia e outros grãos. O povo israelita aproveitava todo o espaço de terra cultivável, porque era pouco para cultivá-lo. Da experiência vivida por aquelas terras, Ele sabia tirar proveito para ensinar verdades profundas com ilustrações da vida cotidiana. Por isso. Cristo tirava lições da vida pesqueira, da agricultura e até da pecuária.

Nesta parábola, em especial, suas andanças pelas terras agricultáveis lhe deram, uma, visão dos vários tipos de terras que podem receber sementes e frutificarem ou não. Na sua percepção, Ele notou, um tipo de terreno que não era acessível à semente: era a terra “ao pé do caminho”. As sementes lançadas objetivamente ou as que caíam naquela terra batida “por acaso” não penetravam a terra,, então os pássaros as comiam, porque estavam expostas sobre aquela terra dura ao pé do caminho.

Que classe de ouvintes é comparada a esse tipo de terreno? Segundo o próprio Cristo definiu no versículo 19, é aquela classe de pessoas que ouve a Palavra de Deus e não a entende, nem se esforça para entendê-la. É a classe de ouvintes-terra-dura. Na realidade, nos parece que são pessoas displicentes com as coisas de Deus e acham que não precisam se preocupar com isso. O terreno “ao pé do caminho” é batido e pisado pelos transeuntes da vida. E, portanto, terreno duro, impenetrável e inacessível. São muitas as influências exteriores que alcançam o coração humano e influenciam sua vida.

As “aves” que vêm e comem as sementes expostas naquela terra dura representam o quê? Jesus mesmo dá a resposta, quando diz: “Ouvindo alguém a palavra do Reino e não a entendendo, vem o maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho” (Mt 13.19). O Mestre interpreta essas aves como sendo “o maligno”. E quem é o tal? Em toda a Bíblia a palavra “maligno” refere-se ao Diabo e aos demônios sob seu domínio, Segundo o dicionário Aurélio, “maligno” deriva do latim e significa “ser propenso para o mal, ser maléfico, mau, nocivo, pernicioso, danoso”. Esses elementos identificam a pessoa do Diabo. Em Marcos 4.15, o próprio jesus denuncia Satanás como o ladrão da semente da Palavra de Deus para que o pecador não a receba (Jo 10.1,10). As aves do céu que arrebatam a semente lançada no coração precisam ser enxotadas.

As “aves do céu” podem representar os agentes espirituais da maldade que são acionados para impedirem o progresso do “reino de Deus na terra” (Ef 6.10-13). Esses demônios atuam de várias maneiras, com as mais diferentes características para enganar e seduzir os incautos. Essas “aves” podem representar homens ou mulheres usados por Satanás para pisarem a terra do coração das pessoas, influenciando suas mentes com artifícios intelectuais e ateístas, ou com idolatria, para lhes fechar e endurecer o coração.

O ouvinte representado pelo terreno ao pé do caminho é, na verdade, o de coração fechado. E uma classe de pessoas que recebem a semente com o ouvido, mas não permitem descer ao coração. A semente fica exposta na flor da terra, na camada exterior, e não entra para o interior. Lamentavelmente, temos esse tipo de crentes no seio da igreja que, a despeito de participarem de atividades sociais e religiosas, são pessoas sem percepção espiritual. Nada do que acontece no terreno espiritual as sensibiliza porque são desprovidas de uma experiência interior profunda. A semente não pode penetrar nem germinar, e então fica exposta para que “as aves do céu”, que representam os agentes do mal, a arrebatem. A Palavra não surte efeito.

O terreno cheio de “pedregais” (w . 5,6,20,21)

Esse é o tipo de ouvinte que recebe inicialmente bem a Palavra de Deus, mas tem pouca duração, porque onde há pedregulhos o solo é movediço e não permite criar raízes. Na realidade, esse tipo é aquele que facilmente se emociona com o que ouve, porém os obstáculos da vida impedem que a Palavra germine no seu coração. É o tipo de pessoa que chora quando ouve a Palavra, faz confissões de necessidade, mas não consegue se desvencilhar das pedras de sua vida pessoal. A semente é recebida, contudo não cria raízes. Essas pessoas recebem a semente na camada de cima da terra, isto é, na camada emocional do coração, todavia não deixam penetrar a terra. São pessoas entusiastas que se comovem com facilidade e gostam de ouvir a mensagem do evangelho. No entanto, são pessoas superficiais, cuja fé é temporal e frágil, incapazes de superar dificuldades.

As pedras neste terreno podem representar problemas de ordem moral. vícios, maus hábitos de caráter e pecados recorrentes. Nota-se uma diferença na forma de receber a semente nos dois primeiros tipos de terrenos (ou solos). O terreno “ao pé do caminho” é o endurecido, fechado, compacto, que não dá espaço para mais nada. São as pessoas que não entendem a Palavra. Porém, o segundo tipo de terreno é cheio de pedras. Esse terreno é o coração daqueles que, imediatamente, entendem a Palavra, mas de modo superficial. São pessoas que têm dificuldades em administrar seus sentimentos e emoções, por isso, são volúveis e medrosas. Estão sempre resvalando em alguma dificuldade que não sabem resolver. Muitos cristãos vivem na superficialidade espiritual, pois imaginam que por se emocionarem num culto com uma mensagem ou um cântico não precisam de mais nada, por isso não se esforçam para tirar as pedras. De suas vidas. Eles recebem a semente naquele momento (v. 20) e ela até chega a brotar de imediato (v. 4), mas não desenvolve suas raízes. E típico do “cristão-pedregulho”. que está sempre buscando novidades e não se firma na fé. A hipocrisia acaba sendo uma característica desse tipo de crente, sempre propenso a grandes emoções, manifestando-as com frequência nos cultos da igreja. Ao calor de um culto de adoração de louvor, ele manifesta fervor e faz demonstrações de profissão de fé, mas passando aquele momento, volta a ser o mesmo cristão inseguro de sempre, facilmente “levado por ventos de doutrina e vãs filosofias”. Ainda que deseje frutificar, ele não consegue, porque não possui raízes profundas em si mesmo. São pessoas de convicções duvidosas, inseguras e frágeis. Não suportam tribulações e provas, e com facilidade tropeçam e caem.

O terreno cheio de “espinhos” (w . 7,22)

Diz o texto literalmente: “E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na”. Na língua grega, a palavra “espinho” é akantha, que se refere a “planta espinhosa”, típica das terras do Oriente Médio. Por exemplo, a coroa de espinhos que os romanos fizeram para Jesus era, de fato, uma “coroa de akanthon” (Mt 27.29). Esse tipo de planta espinhosa se espalha e se dimensiona sobre a terra de tal forma, que outras plantas não subsistem naquele terreno. Geralmente, esse tipo de solo é constituído de rochedos elevados cobertos de pouca terra. Sobre ele é fácil encontrar essa planta de akanthon (de espinhos) e lançar sementes frutíferas. Às vezes, uma ponta de terra que entra pelo mar e é cercada de águas por todos os lados. Naquela ponta de terra rochosa crescia muita planta de espinhos. O autor da Carta aos Hebreus escreveu o seguinte: “Porque a terra que embebe a chuva que muitas vezes cai sobre ela e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada recebe a bênção de Deus; mas a que produz espinhos e abrolhos é reprovada e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada” (Hb 6.7,8). Entende-se, portanto, que esse tipo de terreno torna inútil o trabalho do semeador. É interessante notar que a semente lançada ali encontrou possibilidade de germinar, mas logo foi sufocada pelos espinhos.

A semelhança dos problemas típicos do terreno pedregoso, esse terceiro também é cheio de obstáculos e estorvos. Jesus quis de fato dar um destaque especial a esse terreno porque esses espinhos sufocaram a semente (v. 22).

Que tipos de espinhos podem sufocar a “boa semente”? O texto de Mateus 13.22 apresenta dois tipos de espinhos e Lucas 8.14, três.

Mateus indica “os cuidados deste mundo” e “a sedução das riquezas”, e Lucas considera três: “cuidados, riquezas e deleites da vida”. Todos esses espinhos estão, na verdade, na mesma dimensão.

Na primeira expressão — “cuidados deste mundo” — , Mateus coloca em destaque duas palavras: “cuidados” e “mundo”. A primeira delas fala de preocupações secundárias que acabam dominando a mente e o coração das pessoas, sem deixar espaço para a prioridade maior que é o “reino de Deus”. Essas preocupações sufocam a floração e a frutificação da Palavra de Deus, que é a fonte de toda a vida e de toda fecundidade. Muitos cristãos não frutificam na vida cristã porque vivem sufocados pelas preocupações da vida. Não têm tempo para as coisas de Deus.

A segunda palavra significa um sistema espiritual invisível que oferece às criaturas toda sorte de coisas que roubam o espaço da relação e comunhão com Deus.

A segunda expressão — “a sedução das riquezas” — refere-se à possessão de riquezas que têm sufocado a vida espiritual de muitos irmãos que não têm tempo, para a oração, meditação e comunhão com Deus. A participação nas atividades da igreja torna-se nula porque “a sedução das riquezas” toma o primeiro lugar em suas vidas. Paulo exortou sobre o perigo que correm os “que querem ficar ricos” (1 Tm 6.9).

A terceira expressão — “os deleites da vida” — encontra- se em Lucas, como já mencionado anteriormente. Sem dúvida, os deleites propiciados pela prosperidade material induzem as pessoas à arrogância e à presunção. A busca desmedida por prosperidade material facilita o caminho das tentações e, inevitavelmente, o lugar da Palavra de Deus é sufocado no coração dessas pessoas. Nos tempos modernos, quando a equivocada teologia da prosperidade é pregada e ensinada como descoberta de se ficar rico, a verdadeira teologia é abandonada. A prosperidade material deveria ser um modo de servir melhor a Deus e não para produzir sentimentos presunçosos no coração daqueles que se imaginam mais abençoados que os outros.

O terreno da “boa terra” (w . 8,23)

A quarta classe destacada por Jesus é o que chamaria de ouvintes-boa-terra porque são aqueles que ouvem e compreendem a Palavra de Deus e dão frutos. A “boa terra” recebe a semente porque é macia, profunda, sem pedras e limpa. É a terra fértil e fofa que recebe a semente e é propícia à sua germinação e desenvolvimento. Pelo menos três características, são manifestadas nesse tipo.de terreno.

Primeiro, as pessoas ouvem e entendem a Palavra. Geralmente, tais pessoas são sensíveis às coisas espirituais. São desejosas de conhecer e aprender porque suas raízes são profundas. Segundo as pessoas tornam-se frutíferas. Essa atividade frutífera é demonstrada por uma dinâmica interior da semente plantada e pela qualidade da terra. Jesus destaca essa dinâmica quando diz:“... e deu fruto: um, a cem, outro, a sessenta, e outro, a trinta” (Mt 13.8).
Quando a Palavra (a semente) penetra fundo a terra do coração, ela produz bons frutos, que é o resultado das convicções firmes no poder da Palavra (Jo 15.8'). Em Terceiro lugar, as pessoas tornam-se frutíferas independentemente da quantidade ou proporção. Não importa quem produz mais ou menos. O que importa é que produzamos o suficiente para alcançar muitas pessoas (SI 1.3). Porém, há um detalhe que indica que certos grãos rendem mais que outros. Isto não significa qualquer privilégio propiciado ou discriminativo. No mundo em que vivemos, algumas pessoas produzem mais que as outras, e no Reino de Deus é a mesma coisa. O importante é que todos produzam, independentemente da quantidade. A proporção é equivalente à capacidade individual de cada “grão” (semente) produzir ou não.

Os estudiosos têm procurado entender o texto de Mateus 13.8, que destaca as proporções de produtividade das sementes semeadas. O famoso teólogo Fausset interpreta esse texto da seguinte forma: “trinta por um” designa o nível menor de frutificação; “sessenta por um”, o nível intermediário de frutificação; “cem por um”, o mais elevado nível. Um outro teólogo comentou esse texto da seguinte maneira: “Assim como os níveis dos ouvintes sem fruto eram três, também é tríplice a abundância de frutos. Aqueles que tinham, foi-lhes dado”. A semente plantada em nossos corações germinará e frutificará mediante a nossa disposição para produzir. Todavia, a lição maior desta parábola não é simplesmente frutificar, o que está relacionado com a disposição para querer aprender e entender a Palavra de Deus. É o entendimento intelectual e espiritual da Palavra que produzirá algum fruto. Essa parábola tem a ver com a nossa capacidade de ouvir, entender e obedecer .Nossa receptividade à Palavra “descortinará a verdade na justa proporção do entendimento dos homens”. Só entenderemos as verdades profundas do Reino de Deus mediante nossa receptividade. Jesus falou em “mistérios do reino”, indicando que nem todos conheceriam esses mistérios, mas aqueles para os quais fossem revelados. A uns o entendimento é menor e mais lento; a outros, é mais amplo e claro, tal como a palavra declara: “trinta por um, sessenta por um e cem por um”. Na igreja, os crentes são distintos membros do Corpo de Cristo (1 Co 12.12,27) e, naturalmente, cada membro deve cumprir o seu papel dentro do Corpo. Por isso, podemos entender que cada pessoa produzirá “a boa semente” na medida da sua capacidade de frutificar. Não há espaço para ciúmes ou invejas, desde que cada um produza à proporção de seu, entendimento dos “mistérios da Palavra de Deus”.

CONCLUSÃO

Aprendemos com esta parábola do semeador que existem três tipos de solos que representam obstáculos para germinar, crescer e desenvolver. Em termos de desenvolvimento cristão, no primeiro solo o cristão não se desenvolve; no segundo, a semente é frustrada quanto à germinação; no terceiro, encontra um pouco de terra, mas é sufocada pelos espinhos; e no quarto, ela encontra terra capaz de germiná-la e fazê-la crescer e frutificar.

Fonte: Parábola de Jesus - Advertências para os dias de hoje - Elienai Cabral

Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Como os Pentecostais interpretam a Bíblia

“Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” Sl 119.11

“Nós, pentecostais, nunca vimos o abismo que separa o nosso mundo do mundo do texto em sentido geral. Combinar nossos horizontes com o do texto ocorre naturalmente, sem muita reflexão, em grande parte porque o nosso mundo e o do texto são bastante semelhantes. Tendo em vista que os teólogos e acadêmicos ocidentais dos últimos dois séculos empregaram grandes esforços para saber como interpretar os textos bíblicos que falam da atividade milagrosa de Deus, os pentecostais não foram afligidos com esse tipo de mal-estar. Enquanto Rudolph Bultmann desenvolveu sua demitologização ao Novo Testamento, os pentecostais silenciosamente oravam pelos enfermos e expulsavam demônios. Enquanto os teólogos evangélicos, seguindo os passos de B. B. Warfield, procuravam explicar por que devemos aceitar a realidade dos milagres registrados no Novo Testamento, mas, ao mesmo tempo, não esperar que ocorram hoje, os pentecostais estavam testemunhando que Jesus operava ‘prodígios e sinais’ contemporâneos quando estabeleceu a igreja.
Não, a hermenêutica da maioria dos crentes pentecostais não é exclusivamente complexa. Não está cheia de questões sobre a confiabilidade histórica ou repleta de cosmovisões ultrapassadas. Não é excessiva mente reflexiva sobre os sistemas teológicos, a distância cultural ou as estratégias literárias” (MENZIES, Robert. Pentecostes: Essa História é a Nossa História. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2016, pp.21,22).

Existem vários métodos de interpretação das Sagradas Escrituras, porém não podemos nos esquecer de que precisamos compreender o texto sagrado corretamente e praticá-lo (Tg 1.22). Muitos veem o livro de Atos, e algumas partes da Bíblia, apenas como uma narrativa histórica com acontecimentos que fizeram parte somente de uma época da história da Igreja, como por exemplo, o batismo com o Espírito Santo. A falta de conhecimento leva as pessoas a rejeitarem e a falarem mal daquilo que não conhecem com profundidade. Que a aula de hoje venha contribuir para que seus alunos tenham uma visão correta a respeito do livro de Atos e da forma como o interpretamos. Pois, o Espírito Santo não é um mito, uma força, um vento. Ele é a Terceira Pessoa da Trindade que foi enviado a este mundo com uma missão específica: convencer o homem do pecado, da justiça, do juízo e edificar os crentes e a Igreja do Senhor mediante a concessão de dons espirituais.

Ler a Bíblia de forma correta é importante não apenas para que entendamos perfeitamente a sua mensagem, mas também para que a pratiquemos.

Texto Bíblico - Atos 2.1-13

INTRODUÇÃO

Um dos maiores desafios dos grupos cristãos evangélicos tem sido a leitura da Bíblia e a sua correta interpretação. A forma como vão expor seus ensinos e principalmente aplicá-los, depende da maneira como leem e interpretam as Sagradas Escrituras. Por isso, há regras que norteiam a interpretação da Bíblia, dirigindo o leitor não apenas ao perfeito entendimento do texto bíblico, mas acima de tudo, motivando-o à aplicação correta. Se lermos o texto sagrado e o interpretamos de maneira imprópria, a aplicação também será imprópria. E de que forma os pentecostais leem a Palavra de Deus? Sua interpretação acerca dos textos de Atos, sobre a vinda do Espírito Santo e o falar em línguas, é correta? Será que os dons espirituais seriam para os nossos dias? As respostas a essas perguntas passam pelo processo de leitura e interpretação corretas da Palavra de Deus.

I. POR QUE LER E INTERPRETAR A BÍBLIA CORRETAMENTE

1. Ler corretamente para entender corretamente.

Um dos segredos para uma vida cristã sadia é o correto entendimento do texto sagrado. Se pensarmos que a Bíblia foi produzida em um contexto diferente do nosso, devemos então acatar princípios que nos ajudem a entendê-la. Para isso, a Teologia elaborou um método que direciona de forma acertada como um cristão deve ler a Bíblia. E por qual motivo isso foi feito? Para que todo cristão, em sua leitura, leve em conta os princípios que lhe permitirão aplicar a leitura bíblica às suas vidas. O desafio de ser um praticante da Palavra de Deus passa, portanto, pela interpretação correta. Não temos dúvida de que certos textos têm uma aplicabilidade imediata, pois não necessita de muitas explicações para a sua compreensão, já que a mensagem traz elementos que são conhecidos de praticamente todas as pessoas, como por exemplo, os Dez Mandamentos: “Não adulterarás”; “Não furtarás”; “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Êx 20.14-16). Outros textos, como o que se refere a Melquisedeque em comparação ao Senhor Jesus, “rei de justiça e depois também rei de Salém, que é rei de paz; sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida” (Hb 72.3), precisam de uma explicação, pois corremos o risco de entendermos que Melquisedeque surgiu do nada, que não teve pai ou mãe. Na verdade, a genealogia de Melquisedeque não é apresentada no texto sagrado, mas ele, como qualquer ser humano, tinha pai e mãe.

O entendimento correto de um texto passa pela sua leitura correta. Tais princípios não têm por objetivo cercear a leitura da Palavra de Deus, e sim fazer com que essa leitura se enquadre dentro do objetivo que o escritor tinha quando foi inspirado a materializar a revelação de Deus de forma escrita.

2. Ler corretamente para ensinar e aplicar.

Um dos propósitos da leitura correta das Escrituras é o ensino correto dela. Se uma leitura e interpretação do texto sacro forem dirigidas por premissas equivocadas, tais premissas acarretarão um ensino equivocado da Palavra de Deus. Por sua vez, um ensino equivocado traz práticas equivocadas e danosas para a Igreja de Cristo. Não é à toa que, ao longo do texto sagrado, Deus se encarrega de usar seus servos para que exortem o seu povo a que pratiquem obras corretas e vivam uma existência que, efetivamente, agrada a Deus. Cremos que quando Deus inspirou os escritores a redigirem o texto sagrado, Ele o fez para que a sua vontade fosse praticada (2Tm 3.16,17).

3. O respeito para com o texto sagrado.

Deus, ao inspirar seus servos a que escrevessem sua Palavra, o fez em um contexto diferente do nosso. A Bíblia não foi escrita em nenhuma versão em português do século XXI, no Brasil. Foi escrita em pelo menos três línguas diferentes: o hebraico, o grego e algumas porções em aramaico. Homens em posições sociais diferentes, lugares diferentes e em tempos diferentes compuseram o texto que temos hoje em mãos, e para que haja uma correta interpretação desses textos é preciso que respeitemos essas observações. O cristão cuidadoso vai ler o texto sagrado estudando o contexto em que a Escritura foi produzida.

II. COMO O PENTECOSTAL LÊ A BÍBLIA

1. Privilegiando o texto primeiramente na sua literalidade.

Crentes pentecostais valorizam a literalidade do texto. Se Jesus disse que em seu nome expulsaríamos demônios, pentecostais não discutem se é possível ou não a libertação de pessoas possessas por espíritos imundos em nossos dias. Simplesmente oram e, crendo nas palavras de Jesus, expulsam demônios. Se Jesus disse que em seu nome seus discípulos falariam em novas línguas, pentecostais entendem que tal evento seria cumprido por Deus (Mc 16.14-20).

É evidente que pentecostais não atribuem literalidade a um texto que não deve ser entendido literalmente. Há textos cujo sentido é figurado, como no caso em que Jesus disse que Ele era a porta, o caminho, o pão do céu. Entendemos que o Senhor se valeu de elementos conhecidos do seu tempo para comunicar verdades por meio de comparações, e que esses elementos não são sempre literais.

O que não se pode é acreditar que. no processo de interpretação da Bíblia, podemos mudar as regras conforme a nossa conveniência.

2. Respeitando o contexto histórico e os gêneros literários.

A Palavra de Deus teve sua escrita encerrada há pouco menos de dois mil anos. Portanto, há um hiato de tempo entre nós e os acontecimentos descritos na Bíblia que deve ser observado na leitura e interpretação do texto, pois não se pode esquecer que o tempo, os costumes, a forma como viviam os homens e mulheres daquela época eram diferentes dos nossos.

Na Bíblia há textos históricos que registram acontecimentos dentro e fora de Israel, para que fossem conhecidos pelas gerações seguintes (Dt 6.20,21).

Há, na Bíblia, poesia descrita com sensibilidade por pessoas que registraram suas emoções com alegria, tristeza, desapontamento e contentamento, mas também confiança em Deus (Sl 42.10,11).

Há textos proféticos nos quais Deus usa seus servos para declarar o que ocorrerá no futuro e advertir seu próprio povo a que viva uma vida justa o honre ao Senhor com uma adoração genuína e respeite seus irmãos (Mq 6.8).

A Bíblia traz cartas dos apóstolos a pessoas e a igrejas, tendo em vista que os leitores, que agora professavam uma nova fé, precisavam ser instruídos sobre como poderiam viver neste mundo. Esses detalhes precisam ser respeitados no momento da leitura da Bíblia, ou faremos interpretações equivocadas da revelação divina.

3. Entendendo que a Bíblia é a Palavra de Deus.

Crentes pentecostais consideram a Bíblia como a Palavra de Deus. Isso implica reconhecer igualmente que a chamada revelação escriturística se completou com o encerramento do Cânon, e que qualquer outra revelação trazida por meio intelectual ou por dons espirituais precisa se curvar à revelação inspirada por Deus em sua Palavra. Cremos que Deus, para a edificação da Igreja, concede dons espirituais que podem trazer, eventualmente, novas diretrizes a grupos ou pessoas, mas nenhuma revelação trazida em nossos dias, seja por profecia, seja pela palavra do conhecimento, pode ser entendida como sendo da parte de Deus se estiver contrária ao que o Senhor já declarou em sua Palavra.

III. O LIVRO DE ATOS — DESCRITIVO OU PRESCRITIVO

1. A ação do Espírito Santo na Igreja.

O livro de Atos recebe esse nome por ser o registro dos feitos dos apóstolos após a ascensão de Jesus, mas acima de tudo, é o registro dos atos do Espírito Santo na Igreja e por meio dela. Lucas não apenas se preocupa em registrar o crescimento da Igreja, mas também a forma com que Deus agia para que a mensagem do Evangelho transformasse pessoas e fizesse crescera Igreja (At 2.47b).

2. A interpretação de Pedro.

Por ocasião da descida do Espírito Santo no cenáculo, com o sinal de falar outras línguas que transmitiam as grandezas de Deus, o apóstolo Pedro não hesitou em atribuir o fato à profecia de Joel, de que o Espírito de Deus seria derramado em toda a carne. É curioso o fato de que haja crentes em nossos dias que não veem problema na forma como Pedro aplicou a passagem de Joel ao que havia acontecido no Dia de Pentecostes, mas rejeitam que esse derramamento do Espírito de Deus é para os nossos dias. Se examinarmos bem as Escrituras, veremos que tanto Jesus quanto os discípulos conheciam a Palavra e a interpretavam de forma correta.

3. Atos é descritivo ou prescritivo?

Essa é uma questão que precisa ser entendida, a fim de que olhemos o livro de Atos como mais do que um livro de história. Quando dizemos que o livro de Atos é meramente uma descrição do que se passou nos primeiros 35 anos da Igreja, queremos dizer que a sua narrativa serve somente de registro histórico, e que não tem a intenção de indicar que os eventos iniciados pelo Espírito Santo devem se repetir em nossos dias. De acordo com essa possibilidade de interpretação, as línguas, as curas, as operações de milagres, revelações e outras ocorrências não deveriam ser correntes na Igreja de nossos dias, pois o livro de Atos tem caráter meramente descritivo. Mas se o livro de Atos tiver o caráter descritivo e prescritivo, então podemos crer que as experiências relatadas por Lucas podem se repetir em nossos dias e o Espírito de Deus é o responsável por milagres, curas e manifestação dos dons operados tanto na Igreja quanto no ministério pessoal.


CONCLUSÃO

Ler e interpretar corretamente a Palavra de Deus é um requisito necessário para que todo cristão cresça na vida espiritual e pessoal. Pentecostais leem as Sagradas Escrituras com zelo e esclarecimento, de maneira que busquem sempre a interpretação correta do texto sagrado. Esse cuidado se dá pela certeza de que a correta interpretação do texto gerará a correta aplicação, e esta redundará na vivência debaixo da vontade e da bênção de Deus.


Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 4º Trimestre de 2018 - Título: O vento sopra onde quer – O ensino bíblico do Espírito Santo e sua operação na vida da Igreja – Comentarista: Alexandre Coelho

Aqui eu Aprendi!

domingo, 7 de outubro de 2018

Parábola: Uma lição para a vida

“E sem parábolas nunca lhes falava, porém tudo declarava em particular aos seus discípulos” Mc 4.34

Parábola: uma lição para a vida

Caro professor (a), neste trimestre abordaremos As Parábolas de Jesus. A primeira lição resume-se em três tópicos:
(1) O que é Parábola;
(2) O contexto social e literário;
(3) Como ler uma parábola.
Logo, estudar o gênero da parábola deve ser o ponto de partida para este trimestre. Lendo-a superficialmente pode parecer simples, mas veremos que não o é.

Informações básicas sobre o gênero da Parábola

Em primeiro lugar, a parábola é um recurso literário que visa inserir o ouvinte diretamente numa narrativa em que ele esteja dentro da história e, assim, espontaneamente, aprenda o ensino contido na história contada. Nesse aspecto, Gordon D. Fee nos diz que “Jesus contava parábolas para as pessoas [Lucas] (15.3; 18.9; 19.11) com implicação clara de que as parábolas podiam ser compreendidas” (Entendes o que Lês, pp.180-81).

Em segundo lugar, o uso da parábola tinha o objetivo de que o ouvinte estabelecesse a resolução de mudar o comportamento. Como explica Gordon D. Fee, o problema em ouvir a parábola não está em compreendê-la, mas em mudar o comportamento, pois em Jesus Cristo a parábola era um chamado à obediência aos seus ensinamentos: “o problema deles não era com a compreensão da parábola, mas sim com o fato de permitir que ela mudasse seu comportamento. [...] [Muitos] olhavam, mas deixavam de ver; escutavam — e até mesmo compreendiam — as parábolas, mas falharam em escutá-las de um modo que os levasse à obediência” (Entendes o que Lês, pp.180-81).

Assim, podemos resumir o papel da parábola no ensino de Jesus da seguinte forma: um recurso literário que, por intermédio da inserção direta do ouvinte na história contada, apela para que ele mude o comportamento “anticristão”.

Conselhos para ler uma parábola

A parábola, sem dúvida, é um dos gêneros mais vivos nas Escrituras Sagradas. Portanto, para experimentar sua vivacidade, (1) antes de lê-la, ore pedindo a iluminação do Espírito Santo, (2) considere a experiência cotidiana da época de Jesus como marco histórico de encontro com a revelação de Deus, (3) observe e concentre-se nas declarações explícitas e implícitas da parábola, (4) identifique o eixo central que permite a aplicação da parábola nos dias de hoje.

As parábolas são uma forma instrutiva para se ensinar grandes lições, e delas podemos extrair as inspirações e os ensinamentos divinos para a vida cristã.

Leitura Bíblica: Mateus 13.10-17

Quando estudamos as parábolas de Jesus, com os corações abertos e dispostos a aprender como discípulos verdadeiros, em busca de sabedoria e entendimento das verdades espirituais profundas, nos deparamos com as sábias lições que Ele nos deixou para sermos bem-sucedidos em nossa vida aqui no mundo. Estudar este conteúdo, como disse Jesus aos seus primeiros discípulos, é um privilégio: “Bem-aventurados são os olhos que veem o que vós vedes, pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes e não o viram; e ouvir o que ouvis e não o ouviram” (Lc 10.23,24). Assim, as parábolas do Senhor possuem preciosas promessas de bênçãos para todos quantos acolhem sua mensagem e se dispõem a compreender as verdades que elas ensinam.

Análise Interpretativa – Métodos Interpretativos

O método é entendido como um caminho a percorrer com o objetivo de atingir um fim. A palavra deriva do termo “metodologia”, que significa a “arte de dirigir o espírito na investigação da verdade, ou, a orientação para o ensino de uma disciplina”.1

Assim, o método interpretativo de estudo tem por objetivo descobrir e demonstrar a verdade, pois enquanto interpretação textual, é uma arte que visa explicar detalhadamente um texto. Isso resume o sentido da interpretação de texto.

A ideia essencial da interpretação aponta para a explicação detalhada de um texto, ou seja, “o estudo de tudo que está escrito na ‘linha’ (aquilo que o texto literalmente diz - tudo que está explícito) e na ‘entrelinha’ (espaço entre duas linhas) ou seja, tudo que está implícito, e que, muitas vezes, não foi dito por questões políticas, morais, ideológicas, sociais ou religiosas”.2

Outra ideia de interpretação aponta para a chegada ao sentido claro do texto através de uma análise detalhada e profunda dele. “Quer deseje ou não, todo leitor é, ao mesmo tempo um intérprete.”3  No contexto bíblico, a interpretação não é uma atividade complexa, pelo contrário, “a maior parte da Escritura é, na verdade, de fácil entendimento. Ninguém precisa ser versado nos originais para compreender o seu propósito salvífico. Sua mensagem é basicamente simples. Todo aquele que dela se aproxima pode ser educado na justiça. Contudo, existem certas partes que não são de tão fácil compreensão, sendo de
suma importância que o intérprete-leitor, tenha algumas qualificações”,4 sendo tais intelectuais, educacionais e espirituais.

Em suma, o método interpretativo é a maneira ordenada de entender um texto. Trata-se de um procedimento que obedece alguns passos, cujo objetivo é chegar a uma conclusão.

Existe, no entanto, uma diferença entre “interpretar” e “compreender” o texto, que consiste, respectivamente, na análise e inferência do que está escrito. Para compreender um texto se faz necessário analisar o que está escrito literalmente, mas para interpretá-lo faz-se necessário entender sua subjetividade. Assim, no trabalho de compreensão do texto estão envolvidos os aspectos explícitos do texto; já no da interpretação, os aspectos implícitos do texto.

O quadro abaixo 5 resume as diferenças básicas entre compreensão e interpretação de um texto. Ele mostra que um texto pode ser compreendido sem ser interpretado, mas não pode ser interpretado sem ser compreendido.


      Compreensão   

     Interpretação

   O que é

É a análise do que está escrito no texto, a compreensão das frases e ideias presentes.

É o que podemos concluir sobre o que está escrito no texto. É o modo como interpretamos o conteúdo.


  Informação

A informação está presente no texto.

A informação está fora do texto, mas tem conexão com ele.


  Análise

Trabalha com a objetividade, com as frases e palavras que estão escritas no texto.

Trabalha com a subjetividade, com o que você entendeu sobre o texto

Para compreender e interpretar um texto bíblico se faz necessário entender que a Palavra de Deus foi revelada numa linguagem humana e, por isso, devemos considerar os princípios interpretativos que esclarece histórico e gramaticalmente os textos de qualquer natureza. Ora, se a Bíblia não estivesse sujeita às mesmas regras de interpretação textual seria inviável chegar ao conhecimento adequado e saudável do texto bíblico.

O uso dos diversos métodos de interpretação, embora essenciais em sua aplicação, devem ser entendidos como influentes na interferência direta do significado do texto, ou seja, “as questões levantadas pelo intérprete estão subordinadas aos métodos interpretativos adotados e guiam-no na sua abordagem do texto”.6  De acordo com Oliveira, o intérprete “deve primar pela consistência do método adotado com os objetivos pretendidos, se quiser manter íntegra sua interpretação das escrituras sagradas”.7

Existem diversos métodos de interpretação do texto bíblico, dentre eles o método analítico, o método sintético, o método temático e o método biográfico. A aplicação destes e outros métodos de interpretação são úteis, uma vez que os diferentes contextos que constituem o texto sagrado estão distantes historicamente da atualidade, requerendo do intérprete um esforço na interpretação. De acordo com Santos, “uma interpretação correta dos textos bíblicos resulta em uma fé sadia onde o cristão sob a orientação e iluminação do Espírito Santo passa a ter uma melhor compreensão da revelação do Eterno por meio de Jesus Cristo”.8  O uso de métodos coerentes possibilita a edificação de uma interpretação segura, sobretudo, fundamentada nas Escrituras Sagradas, impedindo assim uma interpretação equivocada que possa resultar na construção de uma mensagem enganosa.

Ao descrever sobre a importância do uso de métodos na interpretação das Escrituras Sagradas, Raimundo de Oliveira destacou que “assim como o trabalho metódico do agricultor (plantio, cultivo e colheita), ajuda a ação do sol e da chuva a produzir abundantes colheitas, o estudo metódico das Escrituras nos ajuda a receber a revelação da verdade através do Espírito Santo de uma maneira progressiva e bem organizada”.9  O quadro abaixo 10 resume as características do método analítico, do método sintético, do método temático e do método biográfico.

Método
Características
Analítico
 Estuda o texto bíblico através da análise minuciosa do texto, observando cada detalhe de sua composição. “Permite ao leitor deparar-se com o porquê o escritor disse o que disse do modo como disse”. Este método é composto pela observação; dando ênfase aquilo que não está claro no texto; pela interpretação propriamente dita, de preferência com identificação de palavras-chave; pela correlação, onde textos no mesmo capítulo se relacionam; e pela aplicação, identificando princípios que devem ser vividos.
Sintético
 Apresenta um determinado assunto numa perspectiva panorâmica, possibilitando uma noção geral, e não detalhado, do texto bíblico. Diferente do método analítico, busca uma visão global de cada livro da Bíblia, por isso, não dedica-se aos detalhes, mas sim, a mensagem geral. Busca respostas sobre o propósito do escritor ao escrever determinado tema, o que ele tinha em mente quando escreveu o tema e qual o caminho que ele percorreu para alcançar seu objetivo.
Temático
Trata de assuntos específicos. Pode ser o estudo de um tema único, ou, um tema geral da Bíblia. Neste método o intérprete deve buscar o máximo de referências bíblicas relacionadas ao tema definido para o estudo, permitindo dessa forma que a Bíblia explique-se a si mesma.
Biográfico
Estuda as características dos diversos personagens da Bíblia, com o objetivo de compreendê-los com maior profundidade e extrair lições de cada um deles.

Os Gêneros Literários

Os gêneros literários caracterizam-se pelo agrupamento de textos que possuem padrões textuais similares. Surgiram durante a antiguidade clássica, e o filósofo grego Aristóteles foi o responsável em fazer a primeira classificação de obras literárias, com o objetivo de organizá-las na história de acordo com características comuns apresentadas por elas, dividindo-as em gênero épico, gênero lírico e gênero dramático.

O gênero épico caracteriza-se pela referência à narrativa feita em forma de versos, e tem como marca a presença de um narrador que fala de feitos do passado, em especial, de feitos heroicos de um povo.

O gênero lírico caracteriza-se pela expressão de emoções e sentimentos, geralmente composto por uma produção textual subjetiva.

O gênero dramático caracteriza-se pela produção de textos criados com o objetivo de serem encenados, ou seja, é produzido a partir da ideia da existência de um grupo de pessoas dispostas a assistir a produção, e também, pela existência de uma ou mais pessoas dispostas a representá-lo. O quadro abaixo 11 apresenta os três gêneros literários e seus sub-gêneros:
   
Gênero
Sub-Gênero
Épico narrativo
Romance, conto, epopeia ou poesia épica, fábula, crônica, ensaio.
Lírico
 Ode, hino, elegia, idílio, écloga, epitalâmio, sátira.
Dramático
Auto, comédia, tragédia, tragicomédia, farsa.


De acordo com Silva, “os gêneros textuais são textos que encontramos em nossa vida diária, são as práticas comunicativas do nosso cotidiano”.12  A especialista também afirma que “conhecer os gêneros textuais constitui-se objetivo pedagógico central para a formação de leitores”.13  Assim, o conhecimento dos gêneros literários contribui para a identificação de características essenciais, aspectos sociais e históricos que marcaram uma sociedade ao longo de sua história. Conhecer os gêneros literários torna-se essencial para o conhecimento correto de uma mensagem transmitida por um texto.

A mensagem transmitida por Deus aos homens é única e seu conteúdo está revelado nas Sagradas Escrituras em diversos livros que a compõem através de gêneros literários diversos. É possível identificar esses diversos gêneros na composição textual da Bíblia Sagrada. O objetivo de eles estarem ali é transmitir uma única mensagem por diferentes formas, para diferentes pessoas e em diferentes épocas da história.

Os gêneros literários classificados por Aristóteles, logo, considerados clássicos, também são encontrados na Bíblia, ou seja, o gênero épico, o gênero lírico e o gênero dramático estão presentes na produção do texto bíblico. O quadro abaixo apresenta alguns exemplos da presença dos gêneros literários nas Sagradas Escrituras:

Gênero Literário
Presença no Texto Bíblico
Épico – Narrativo
 História de José do Egito (Gênesis); Parábola do Administrador Infiel (Lucas).
Lírico
  Celebração no Salmo 100 (Salmos)
Dramático
 Cativeiro de Judá na Babilônia (2 Reis).

No livro dos Hebreus, por exemplo, no primeiro capítulo e no primeiro versículo, o texto bíblico diz: “Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho”. Esta passagem indica a presença de diferentes gêneros literários, ou seja, indica a transmissão de uma mensagem única para comunicar a revelação de Deus de diferentes maneiras. Quando se estuda o gênero literário das Escrituras, percebemos histórias, leis, poesias, sabedoria, profecia, evangelhos e literatura apocalíptica. Logo, ao identificarmos um gênero literário, compreenderemos melhor as Escrituras. Ora, é natural que não se pode ler as cartas de Paulo como se lê as parábolas de Jesus.

O quadro abaixo 14 permite a observação dos diversos gêneros literários presentes nas Sagradas Escrituras:

Gênero      
 Características
 Exemplos
Apocalipse
Material dramático, altamente simbólico; imagens mentais vividas; contrastes perfeitos; eventos em escala global; abordagem da testemunha ocular; luta cósmica entre o bem e o mal.
Daniel 9.20-27;  Apocalipse.
Biografia
 Visão de perto da vida de uma pessoa; contraste com outra pessoa; eventos selecionados; desenvolvimento do personagem, positivo ou negativo.
Abraão, Isaque, Jacó, José, Moisés, Saul, Davi, Eliseu e Jesus.
Encômio
 Alto louvor a alguém ou alguma coisa: brilhantes termos para as origens, atos. Atributos ou superioridade do sujeito; exortação a imitar os traços positivos.
1 Sm 2.1-10; 19; 119; Pv 8.22-36; Cantares de Salomão; Jo 1.1-18; 1 Co 13; Cl 1.15-20; Hb 1-3.


          




      Exposição
Argumento ou explicação cuidadosamente fundamentada; organizada; fluxo lógico; termos cruciais; clímax lógico e constrangedor; objetivo: concordância e ação.
Cartas de Paulo; Hebreus; Tiago; 1 e 2 Pedro; 1,2 e 3 João; Judas.
     



      Narrativa
  Categoria ampla na qual a história é proeminente; relatos históricos: estrutura transmitida por enredo; eventos comunicando significado; eventos justapostos para contraste e comparação.
 Gênesis;  Evangelhos; Atos.
    


     Oratória
 Apresentação oral estilizada de um argumento; convenções formais de retórica e oratória; citação de autoridades conhecidas: exortação e persuasão
João 13–17; Atos 7; 17.2231; 22.1-21; 24.10-21; 26.123.
    


    Parábola
  Breve história oral ilustrando moral; personagens de repertório e estereótipos; cenas e atividades comuns; reflexão e auto avaliação.
2 Sm 12.1-6; Ec 9.14-16; Mt 13.1-53; Mc 4.1-34; Lc 15.1; 16.31.
    



    Pastoral
  Literatura que lida com temas rurais e rústicos, especialmente pastores; pouca ação; meditativa e calma; laço entre pastor e ovelhas; apresentação idealizada da vida distante dos males urbanos.
Sl 23; Is 40.11;




   Poesia
Verso escrito para ser declamado ou cantado; ênfase na cadência e nos sons das palavras; imagens e símbolos vividos; emoções: pode empregar o encômio, a pastoral e outros estilos; no AT. Muitos paralelismos.
Jó; Salmos; Provérbios; Eclesiastes; Cantares.


   Profecia
Apresentação estridente e autoritária da vontade e das palavras de Deus; com frequente intenção de correção; motivação às mudanças; prevenção contra os planos de Deus em resposta às escolhas humanas.
Isaías; Malaquias.



   Provérbio
Declaração curta e substanciosa de uma verdade moral; reduz a vida a categorias branco e preto; dirige-se frequentemente a jovens; emprega paralelismos; direção ao que é correto e distante do mal; muitas metáforas e símiles.
Provérbios.


   Sabedoria
Exposição e ridicularização do vício e da insensatez; vários estilos literários, especialmente narrativa. Biografia e provérbio; advertência pelo exemplo negativo.
Pv 24.30-34; Ez 34; Lc 18.1-8.



    Tragédia
Relata a queda de uma pessoa; eventos selecionados para mostrar o caminho à ruína; aponta para falha crítica no caráter e escolhas morais; advertência pelo exemplo negativo
Ló; Sansão; Saul; At 5.1-11.

A Parábola

A parábola é uma “narração alegórica que encerra uma doutrina moral”15 e tem como propósito facilitar a compreensão de uma mensagem através do compartilhamento de uma história, fixando assim conceitos essenciais em nossa mente, e isto é possível, uma vez que a parábola contém sempre uma lição central. Para Champlin ‘parábola’ “indica, literalmente, comparação, e é comumente usada para indicar uma história breve, um exemplo esclarecedor, que ilustra uma verdade qualquer”.16  Assim, a parábola é uma história que objetiva que algo seja claramente compreendido a partir de uma ilustração com base na situação vivencial da vida comum. A parábola é diferente de uma fábula e de um mito.

Sobre a diferença existente entre a parábola e a fábula, Champlin destaca que “a fábula é uma forma de história ilustrativa fictícia e que ensina através da fantasia, mediante a apresentação de animais que falam ou de objetos animados.

A parábola nem sempre lança mão de histórias verídicas, mas admite a probabilidade, ensinando mediante ocorrências imaginárias, mas que jamais fogem à realidade das coisas”.17  Em relação à diferença entre a parábola e o mito é necessário verificar que este “narra uma história como se fosse verdadeira, mas não adiciona nem a probabilidade e nem a verdade. A parábola não tenta contar uma história que deve ser aceita como história real e, sim, um tipo de narrativa que nem sempre sucedeu realmente”.18

Para Cope, a “parábola é justaposição, isto é, colocação de uma coisa ao lado de outra com a finalidade de comparação e ilustração; indicação de casos paralelos ou análogos; é o caso do argumento da analogia. [...] Aristóteles distingue parábola em geral da fábula dizendo que a primeira descreve relações humanas, com o que as parábolas do N.T. concordam; inventa casos análogos que não são históricos, mas sempre verossímeis, isto é, sempre prováveis e correspondendo ao que de fato ocorre na vida real”.19

É comum limitarmos o significado e alcance das parábolas somente no Novo Testamento, porém, sua verificação é ampla na história antiga e também está presente no Antigo Testamento. Apesar de Cristo ter se utilizado de parábolas para transmitir sua mensagem de forma simples e clara, fato este marcante inclusive no seu ministério terreno, não foi ele o criador desse recurso. As parábolas são verificadas entre os povos orientais da antiguidade, e, na literatura judaica eram usadas de maneira abundante na literatura dos rabinos com o objetivo de explicar verdades e doutrinas. O modo de vida agrário era o ambiente inspirador para o uso da parábola para atingir o objetivo de compartilhar uma mensagem. “Os escritos rabínicos estão cheios de histórias, alegóricas ou parabólicas quanto ao caráter, com a intenção de deixar claro algum ponto do ensino ou ilustrar alguma passagem na Bíblia Hebraica”.20

As parábolas estão presentes nos textos do Antigo Testamento devido ao fato de serem os hebreus exímios contadores de histórias, ou seja, era natural a presença das parábolas na cultura literária dos hebreus.

No que diz respeito ao uso de parábolas por outros povos na história, Charles Salmond destaca que “a utilização desse tipo de linguagem exercia atração especial sobre os povos orientais, para quem a imaginação era mais rápida e também mais ativa que a faculdade lógica. A grande família das nações conhecidas como semitas, aos quais pertencem os hebreus, junto com os árabes, os sírios, os babilônios e outras raças notáveis já demonstraram a especial tendência à imaginação, como também um gosto particular por ela”.21

A palavra hebraica mashal tem o significado de provérbio, analogia e parábola, e apesar de ser aplicada de forma variada e abrangente, a ideia essencial de seu significado faz referência a produção textual na forma de parábola.

Parábolas no Antigo Testamento

Na busca pela identificação de parábolas no Antigo Testamento é necessário verificar se o conceito de parábola veterotestamentária é semelhante ao aplicado ao Novo Testamento com a finalidade de diferenciá-lo de outras figuras de linguagem que possuam alguma similaridade. Com base nesta ideia, Manson22 admite a existência de apenas nove ocorrências de parábolas no Antigo Testamento.

A primeira verificação ocorre no texto de 2 Samuel 12.1-14 que diz: “ E o SENHOR enviou Natã a Davi; e, entrando ele a Davi, disse-lhe: Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre. O rico tinha muitíssimas ovelhas e vacas; mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma pequena cordeira que comprara e criara; e ela havia crescido com ele e com seus filhos igualmente; do seu bocado comia, e do seu copo bebia, e dormia em seu regaço, e a tinha como filha. E, vindo um viajante ao homem rico, deixou este de tomar das suas ovelhas e das suas vacas para guisar para o viajante que viera a ele; e tomou a cordeira do homem pobre e a preparou para o homem que viera a ele. Então, o furor de Davi se acendeu em grande maneira contra aquele homem, e disse a Natã: Vive o SENHOR, que digno de morte é o homem que fez isso. E pela cordeira tornará a dar o quadruplicado, porque fez tal coisa e porque não se compadeceu.

Então, disse Natã a Davi: Tu és este homem. Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel e eu te livrei das mãos de Saul; e te dei a casa de teu senhor e as mulheres de teu senhor em teu seio e também te dei a casa de Israel e de Judá; e, se isto é pouco, mais te acrescentaria tais e tais coisas. Por que, pois, desprezaste a palavra do SENHOR, fazendo o mal diante de seus olhos? A Urias, o heteu, feriste à espada, e a sua mulher tomaste por tua mulher; e a ele mataste com a espada dos filhos de Amom. Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para que te seja por mulher. Assim diz o SENHOR: Eis que suscitarei da tua mesma casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol. Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei este negócio perante todo o Israel e perante o sol. Então, disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. E disse Natã a Davi: Também o SENHOR traspassou o teu pecado; não morrerás. Todavia, porquanto com este feito deste lugar sobremaneira a que os inimigos do SENHOR blasfemem, também o filho que te nasceu certamente morrerá”.

A segunda verificação ocorre em 2 Samuel 14.1-11 que diz: “Conhecendo, pois, Joabe, filho de Zeruia, que o coração do rei era inclinado para Absalão, enviou Joabe a Tecoa, e tomou de lá uma mulher sábia, e disse-lhe: Ora, finge que estás de luto; veste vestes de luto, e não te unjas com óleo, e sejas como uma mulher que há já muitos dias está de luto por algum morto. E entra ao rei e fala-lhe conforme esta palavra. E Joabe lhe pôs as palavras na boca. E a mulher tecoíta falou ao rei, e, deitando-se com o rosto em terra, se prostrou, e disse: Salva-me, ó rei. E disse-lhe o rei: Que tens? E disse ela: Na verdade que sou uma mulher viúva, e morreu meu marido. Tinha, pois, a tua serva dois filhos, e ambos estes brigaram no campo, e não houve quem os apartasse; assim, um feriu ao outro e o matou. E eis que toda a linhagem se levantou contra a tua serva, e disseram: Dá-nos aquele que feriu a seu irmão para que o matemos, por causa da vida de seu irmão, a quem matou, e para que destruamos também ao herdeiro. Assim, apagarão a brasa que me ficou, de sorte que não deixam a meu marido nome, nem resto sobre a terra.

E disse o rei à mulher: Vai para tua casa, e eu mandarei ordem acerca de ti. E disse a mulher tecoíta ao rei: A injustiça, ó rei, meu senhor, venha sobre mim e sobre a casa de meu pai; e o rei e o seu trono fiquem inculpáveis. E disse o rei: Quem falar contra ti, traze-mo a mim; e nunca mais te tocará. E disse ela: Ora, lembre-se o rei do SENHOR, teu Deus, para que os vingadores do sangue se não multipliquem a deitar-nos a perder e não destruam meu filho. Então, disse ele: Vive o SENHOR, que não há de cair no chão nem um dos cabelos de teu filho”.

A terceira verificação ocorre em 1 Reis 20.35-40 que diz: “Então, um dos homens dos filhos dos profetas disse ao seu companheiro, pela palavra do SENHOR: Ora, fere-me. E o homem recusou feri-lo. E ele lhe disse: Porque não obedeceste à voz do SENHOR, eis que, em te apartando de mim, um leão te ferirá. E, como dele se apartou, um leão o encontrou e o feriu. Depois, encontrou outro homem e disse-lhe: Ora, fere-me. E feriu-o aquele homem, ferindo-o e vulnerando-o. Então, foi o profeta, e pôs-se perante o rei no caminho, e disfarçou-se com cinza sobre os seus olhos. E sucedeu que, passando o rei, clamou ele ao rei e disse: Teu servo saiu ao meio da peleja, e eis que, desviando-se um homem, me trouxe outro homem e disse: Guarda-me este homem; se vier a faltar, será a tua vida em lugar da vida dele ou pagarás um talento de prata. Sucedeu, pois, que, estando o teu servo ocupado de uma e de outra parte, entretanto, desapareceu. Então, o rei de Israel lhe disse: Esta é a tua sentença; tu mesmo a pronunciaste”.

A quarta verificação ocorre em Isaías 5.1-7 que diz: “Agora, cantarei ao meu amado o cântico do meu querido a respeito da sua vinha. O meu amado tem uma vinha em um outeiro fértil. E a cercou, e a limpou das pedras, e a plantou de excelentes vides; e edificou no meio dela uma torre e também construiu nela um lagar; e esperava que desse uvas boas, mas deu uvas bravas. Agora, pois, ó moradores de Jerusalém e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha. Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? E como, esperando eu que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas?  Agora, pois, vos farei saber o que eu hei de fazer à minha vinha: tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derribarei a sua parede, para que seja pisada; e a tornarei em deserto; não será podada, nem cavada; mas crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela. Porque a vinha do SENHOR dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das suas delícias; e esperou que exercessem juízo, e eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor”.

A quinta verificação ocorre em Ezequiel 17.3-10 que diz: “E dize: Assim diz o Senhor Jeová: Uma grande águia, de grandes asas, de farta plumagem, cheia de penas de várias cores, veio ao Líbano e levou o mais alto ramo de um cedro. E arrancou a ponta mais alta dos seus ramos e a trouxe a uma terra de mercancia; na cidade de mercadores a pôs. Tomou da semente da terra e a lançou num campo de semente; tomando-a, a pôs junto às grandes águas, com grande prudência. E brotou e tornou-se numa videira mui larga, de pouca altura, virando-se para ela os seus ramos, porque as suas raízes estavam debaixo dela; e tornou-se numa videira, e produzia sarmentos, e lançava renovos.

Houve mais uma grande águia, de grandes asas, e cheia de penas; e eis que essa videira lançou para ela as suas raízes e estendeu para ela os seus ramos, desde as auréolas do seu plantio, para que a regasse. Numa boa terra, à borda de muitas águas, estava ela plantada, para produzir ramos e para dar fruto, para que fosse videira excelente. Dize: Assim diz o Senhor Jeová: Ela prosperará? Não lhe arrancará ele as suas raízes e não cortará o seu fruto, para que se seque? Em todas as folhas de seus renovos se secará; e, não com braço grande, nem com muita gente, será arrancada pelas suas raízes. Mas, estando plantada, prosperará? Porventura, tocando-lhe vento oriental, de todo não se secará? Desde as auréolas do seu plantio se secará”.

A sexta verificação ocorre em Ezequiel 19.2-9 que diz: “[...] e dize: Quem foi tua mãe? Uma leoa entre leões deitada criou os seus filhotes no meio dos leõezinhos. E fez crescer um dos seus filhotinhos, o qual veio a ser leãozinho e aprendeu a apanhar a presa; e devorou os homens. E, ouvindo falar dele as nações, foi apanhado na sua cova, e o trouxeram com ganchos à terra do Egito. Vendo, pois, ela que havia esperado e que a sua esperança era perdida, tomou outro dos seus filhotes e fez dele um leãozinho. E este, andando continuamente no meio dos leões, veio a ser um leãozinho, e aprendeu a apanhar a presa, e devorou homens. E conheceu os seus palácios e destruiu as suas cidades; e assolou-se a terra e a sua plenitude, ao ouvir o seu rugido. Então, se ajuntaram contra ele as pessoas das províncias em roda, estenderam sobre ele a rede, e foi apanhado na sua cova. E meteram-no em cárcere com ganchos e o levaram ao rei da Babilônia; fizeram-no entrar nos lugares fortes, para que se não ouvisse mais a sua voz nos montes de Israel”.

A sétima verificação ocorre em Ezequiel 19.10-14 que diz: “Tua mãe era como uma videira na tua quietação, plantada à borda das águas; ela frutificou e encheu-se de ramos, por causa das muitas águas. E tinha varas fortes para cetros de dominadores e elevou-se a sua estatura entre os espessos ramos, e foi vista na sua altura com a multidão dos seus ramos. Mas foi arrancada com furor, foi abatida até à terra, e o vento oriental secou o seu fruto; quebraram-se e secaram-se as suas fortes varas, e o fogo as consumiu. E, agora, está plantada no deserto, numa terra seca e sedenta. E de uma vara dos seus ramos saiu fogo que consumiu o seu fruto, de maneira que não há nela nenhuma vara forte, cetro para dominar. Esta é a lamentação e servirá de lamentação”.

A oitava verificação ocorre em Ezequiel 21.1-5 que diz: “E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, dirige o rosto contra Jerusalém, e derrama as tuas palavras contra os santuários, e profetiza contra a terra de Israel. E dize à terra de Israel: Assim diz o SENHOR: Eis que sou contra ti, e tirarei a minha espada da bainha, e exterminarei do meio de ti o justo e o ímpio. Por isso que hei de exterminar do meio de ti o justo e o ímpio, a minha espada sairá da bainha contra toda carne, desde o Sul até ao Norte. E saberá toda carne que eu, o SENHOR, tirei a minha espada da bainha; nunca mais voltará a ela”.

A nona verificação ocorre em Ezequiel 24.3-5 que diz: “E usa de uma comparação para com a casa rebelde e dize-lhe: Assim diz o Senhor Jeová: Põe a panela ao lume, e põe-na, e deita-lhe água dentro, e ajunta nela bons pedaços de carne, todos os bons pedaços, as pernas e as espáduas, e enche-a de ossos escolhidos. Pega no melhor do rebanho e queima também os ossos debaixo dela; fá-la ferver bem, e cozam-se dentro dela os seus ossos”.

Para Manson, “à luz do uso que da parábola faz o Antigo Testamento, é possível dizer o seguinte acerca do seu emprego nos evangelhos: parábola é uma criação literária do gênero narrativo designada a retratar um certo tipo de caráter como advertência ou exemplo, ou a ilustrar um princípio da maneira de Deus dirigir o mundo e os homens”.23  De acordo com Lockyer outras passagens do Antigo Testamento evidenciam a existência de parábolas. O quadro abaixo 24 resume esta classificação de Lockyer:





Parábolas no Novo Testamento

No Novo Testamento, Jesus utilizou as parábolas como recurso na transmissão de sua mensagem com o objetivo de compartilhar uma verdade espiritual de modo que fosse compreendida de maneira simples, e para isso, usou exemplos do cotidiano de quem o ouvia. O objetivo de Jesus era transmitir uma mensagem que não deixasse dúvida da parte de quem recebia. Schottroff destaca que Jesus narra parábolas para ensinar e para ser entendido, e, que estas parábolas “são designadas de discurso compreensível que não quer apenas provocar a compreensão intelectual, mas também a compreensão que decorre de ouvir a voz de Deus”.25  Schottroff destaca também que “o convite para comparar a narrativa parabólica com o reino de Deus visa a uma reflexão sobre o conteúdo do agir de Deus, da vontade de Deus, sobre o agir no passado, presente e futuro”.26

Ao se dirigir aos seus discípulos e aos fariseus, seus inimigos, Jesus adotou o método de ensino por parábolas com a finalidade de convencer aqueles e condenar estes. Em Mateus 13.10, os discípulos fizeram a seguinte pergunta para Jesus: “Por que lhes falas por parábolas?”. Essa pergunta foi respondida nos cinco versículos seguintes (vv.11-17). Jesus usava esse método em razão da diversidade de caráter, de nível espiritual e de percepção moral de seus ouvintes: “Por isso, lhes falo por parábolas” (Mt 13.13). Em Marcos 4.10-12, ao ser inquirido sobre o uso de parábolas, Jesus respondeu que as usava nos seus ensinamentos por duas razões distintas: para ilustrar a verdade para aqueles que estavam dispostos a recebe-la e para obscurecer a verdade daqueles que a odiavam.

Contexto Social no Tempo de Jesus

A Galileia era a mais setentrional das províncias ocidentais da Palestina. Compreendia todo o território ao Norte de Samaria até ao Monte Líbano, estendendo-se de Leste a Oeste, entre o Mar da Galileia, o Mar Mediterrâneo e a Fenícia. A Galileia situava-se nas grandes rotas comerciais que cruzavam o Oriente Próximo, e muitos estrangeiros atravessavam a região. Esta era muito mais próspera que a Judeia e abrigava uma grande população. Os galileus eram menosprezados pelos líderes religiosos de Jerusalém, pois muitos deles não eram de descendência judaica, pois seus antepassados foram violentamente convertidos por Alexandre Janeu.

O mar da Galileia (Mt 4.18), também conhecido como mar de Tiberíades ou lago de Genesaré (Lc 5.1) é um extenso lago de água, localizado ao norte da Palestina, e tem comprimento máximo de cerca de 19 quilômetros e largura máxima de cerca de 13 km, cuja profundidade média é de 45m, sendo que sua área total abrange 166,7 km². É formado pelo alargamento do rio Jordão, em certo trecho de seu curso. Fica a 213 metros abaixo do nível do mar Mediterrâneo. Nos tempos do Novo Testamento, ficavam nas suas costas as cidades de Tiberíades — fundada por Herodes Antipas ao tempo da infância de Jesus —, Cafarnaum, Betsaida e Genesaré, entre outras. Hoje, Tiberíades é a localidade principal nas margens do lago. A nordeste deste lago ficam as colinas de Golã.

Escavações arqueológicas tem revelado que havia ao todo doze cidades em volta do lago. A conservação de peixes pela salgadura e sua exportação para todos os lugres do Império Romano era a principal indústria. Esse Mar, que ficava cerca de 96 km ao norte de Jerusalém, ajudava a determinar o tipo de vida que se levava em toda a região ao derredor. As ocupações dos habitantes incluíam a agricultura, a fruticultura, a pecuária, o tingimento de tecidos, o curtume, a pesca e a fabricação de embarcações. Foi em Caná, na Galileia, que Jesus realizou seu primeiro milagre, transformando água em vinho, numa festa de casamento (Jo 2.1-11). Nessa província, Jesus reforçou seu ensino com parábolas memoráveis, ilustrando o amor de Deus pelos pecadores, a necessidade de confiança na misericórdia de Deus, o amor que devemos ter uns com os outros, a maneira como a Palavra de Deus vem e o Reino de Deus cresce, a responsabilidade de o discípulo desenvolver seus dons e o julgamento daqueles que rejeitam o Evangelho.

Jerusalém no Tempo de Jesus  —  Religiosidade do Templo e Relação com as Pessoas

Jerusalém é uma das mais antigas cidades do mundo. É a mais sagrada cidade da Palestina e tem existido como cidade e como capital, além de lugar sagrado, há mais de três mil anos. Jerusalém contava com uma superpopulação, sendo que a maioria das pessoas estava desesperada em decorrência da opressão do Império Romano, da miséria, da opressão aos pequenos produtores, dos pequenos agricultores praticamente falidos, tendo que pagar elevados impostos a Roma. Nessa época, grande parte da população dependia de esmolas do Templo. Enquanto o povo comum estava vivendo em situação de extrema pobreza, padecendo por terríveis privações, a aristocracia, os grandes produtores, os grandes comerciantes e as famílias mais abastadas estavam satisfeitas com o sistema vigente controlado pelo governo de Roma. Diante desse contexto, o povo judeu aguardava com ansiedade o Messias que viria em glória, conforme vaticinado pelo profeta Zacarias (Zc 14.4).

Todavia, na segunda fase de seu ministério na Judeia, Jesus subiu a Jerusalém, no meio da Festa dos Tabernáculos, e começou a ensinar o povo publicamente no pátio do Templo (Jo 7.14-53). A opinião popular divergia a seu respeito e os líderes religiosos indignados interrogavam: “Como sabe este letras, não as tendo aprendido”? (Jo 7.15). Essa atitude de Jesus, ensinando e assumindo a posição de rabino, sem ter sido instruído nas escolas dos escribas e fariseus em Jerusalém, consistia num grave insulto para eles. Entretanto, Jesus não era um analfabeto, pois Ele sabia ler e escrever (Lc 4.16-20; Jo 8.6). A resposta de Jesus foi bastante clara, dizendo que “a certeza da crença em Deus não depende da mentalidade da pessoa, mas de um coração reto e de um espírito obediente”: “A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou” (Jo 7.16).

O Contexto Literário no Tempo de Jesus:  os Evangelhos

Os quatro primeiros livros do Cânon do Novo Testamento são chamados de Evangelhos porque são os registros escritos das primeiras pregações das boas novas a respeito de Cristo. Eles constituem um tipo distinto de literatura. Não são biografias completas, pois não tentam narrar todos os fatos da carreira de Jesus; nem são apenas histórias; nem são sermões, embora incluam pregações e discursos; também não são apenas relatos de notícias.

Os três primeiros Evangelhos – Mateus, Marcos e Lucas – são chamados sinóticos, termo que vem do grego synoptikos, que significa “ver junto”, “ver da mesma perspectiva”, “vistos de um ponto de vista comum”. Isso se justifica pelo fato que eles viam o ministério de Jesus sob perspectivas semelhantes entre si. Por exemplo, mais de 600 dos 661 versículos de Marcos podem ser encontrados em Mateus. Aproximadamente 380 versículos de Lucas são semelhantes aos encontrados em Marcos.

Os Sinóticos apresentam a vida, os ensinamentos e a significação de Jesus sob o mesmo ponto de vista, em contraste com o Evangelho de João, o qual se limita quase inteiramente ao que Jesus disse e fez na área de Jerusalém. Cada Evangelho foi escrito por pessoas diferentes, em épocas distintas, em lugares que variaram e em situações peculiares. Todos, porém, foram provavelmente escritos entre os anos 60 a 95 d.C.

Mateus escreveu seu Evangelho para os judeus e é conhecido como o Evangelho do Rei;
Marcos escreveu aos romanos e é conhecido como o Evangelho do grande Servo de Deus;
Lucas escreveu aos gregos, conhecido como Evangelho do Filho do Homem;
João, conhecido como o Evangelho do Filho de Deus, foi escrito para a Igreja.

Como Ler e Interpretar uma Parábola

A leitura da parábola deve ser lida e entendida como uma narrativa sintética das experiências cotidianas.

Uma das questões mais importantes ao ler uma parábola é procurar entender os elementos culturais operados em cada uma delas, pois são histórias contadas a partir de outra cultura e tempo. Torna-se impossível entender as parábolas sem vinculá-las ao seu contexto social, pois elas se referem a experiências de pessoas que viveram na época de Jesus. Para tanto, torna-se necessário identificar a conexão com as estruturas daquela sociedade. Quase um terço dos ensinamentos de Jesus foram realizados através de parábolas. Ele contou parábolas sobre a natureza: o trigo e o joio (Mt 13.24-30), trabalho e salário: o senhor e o servo (Lc 17.7-10), e até sobre casamentos e festas: as dez virgens (Mt 25.1-13).

Jesus não falava de forma genérica acerca da busca de Deus pelo perdido, mas sempre através de histórias de experiências cotidianas, tais como: a história sobre uma mulher que perdera uma de suas dez moedas de prata, e que não descansou até encontrá-la (Lc 15.8-10). Ao confrontar os fariseus, escolheu pensar neles como “sepulcros caiados” (Mt 23.27), referindo-se aos seus ensinamentos como motivações espirituais comparadas aos cemitérios gregos, onde as tumbas de calcário, chamadas de sarcófago, eram belas por fora, mas dentro eram repletas de ossos secos.

A leitura da parábola deve procurar as declarações explícitas e implícitas do agir de Deus no contexto literário. 

Exemplo de declaração explícita do agir de Deus: “Assim diz o Senhor” (420 vezes na Bíblia NVI). Explícito significa desprovido de dúvidas ou ambiguidades; que está perfeitamente enunciado; claro; preciso.

Exemplo de declaração implícita desse agir: “O Espírito do Senhor falou por mim, e a sua palavra está na minha boca” (2 Sm 23.2). O que Davi está afirmando é que sua inspiração para compor Salmos vinha do Espírito de Deus. Implícito significa que está envolvido ou contido, mas não expresso claramente; subentendido; tácito.

Para fazer uma comparação da narrativa parabólica com o Reino de Deus é indispensável que haja uma reflexão sobre o conteúdo do agir de Deus, da vontade de Deus no passado, no presente e no futuro. Quanto ao presente e ao futuro são entendidos escatologicamente. Portanto, faz sentido desvendar a parábola com as seguintes perguntas, conforme sugere Luise Schottroff:

“Onde está o evangelho, a mensagem libertadora?
Onde se pode reconhecer o Deus da Torá e a Torá ao lado, por trás ou ainda na própria parábola?
O que a parábola diz a respeito da promessa ou promissão de Deus?

Essas três perguntas (Evangelho, Torá, Escatologia) são auxílios que se oferecem para a compreensão das aplicações das parábolas”.

A leitura da parábola deve identificar a aplicação prática da mesma

As parábolas de Jesus contêm lições profundas e de aplicação prática no campo da ética e da vida espiritual das pessoas. A maneira predileta de Jesus ensinar era pelo uso de parábolas. Ele sabia que as pessoas gostavam de ouvir uma boa estória! Jesus usava parábolas para dizer tudo isso ao povo. Ele não dizia nada a eles sem ser por meio de parábolas. Isto aconteceu para se cumprir o que o profeta tinha dito: “Usarei parábolas quando falar com esse povo e explicarei coisas desconhecidas desde a criação do mundo” (Mt 13.34-35 (NTLH). Jesus ministrava suas mensagens com facilidade em todos os níveis sociais. Ele tinha conhecimento das mais diversas áreas da sociedade e sabia quais eram as suas necessidades. Conhecia como funcionava a lógica dos fariseus e dos escribas.

Por meio de suas parábolas Jesus levou aos seus ouvintes a mensagem de salvação, conclamava a se arrependerem e a crerem. Aos crentes, desafiava-os a porem a fé em prática, exortando seus seguidores à vigilância. Quando seus discípulos tinham dificuldade para entender as parábolas, Jesus as interpretava.

Além das três perguntas acima sobre como desvendar uma parábola (Evangelho, Torá e Escatologia), uma boa maneira de identificar a aplicação prática de uma Parábola é fazer as perguntas seguintes:

Para quem a parábola foi contada?
Porque a parábola foi contada?
Qual é a moral da parábola?
Existe algum ponto culminante na parábola?
Alguma interpretação é dada na passagem para a parábola?
A salvação da alma é parte integrante das parábolas, pois não há como entrar no Reino de Deus sem ter nascido de novo (Jo 3.3-8). Você já renasceu?
Já se arrependeu dos pecados e confiado em Jesus Cristo como seu sacrifício pelos seus pecados? Você conhece o Rei do Reino? Seu coração já se prostra diante deste Rei? Ou vive em rebeldia contra Ele ainda? Os verdadeiros súditos reconhecem a soberania do Rei e submetem-se a ela.

As Parábolas de Jesus

De acordo com Snodgrass “não existe muito acordo acerca do número de parábolas no Novo Testamento, com estimativas variando de trinta e sete até sessenta e cinco”.27  Este autor destaca que a “determinação desse número depende da definição que se dê ao termo ‘parábola’, levando em conta julgamentos relativos a formas específicas e se parábolas semelhantes como a dos Talentos e das Minas são consideradas uma só parábola ou duas”.28  Snodgrass também destaca que no evangelho segundo João não existem parábolas, uma vez que nenhuma das figuras apresentadas por ele “se equipara às similaridades, às narrativas duplamente indiretas, às parábolas jurídicas ou às parábolas interrogativas encontradas nos Evangelhos Sinóticos”.29

O quadro abaixo sintetiza as parábolas de Jesus




Quando estudamos as parábolas de Jesus, como discípulos verdadeiros, em busca de sabedoria e entendimento das verdades espirituais profundas, nos deparamos com as sábias lições que Ele nos deixou para sermos bem-sucedidos em nossa vida aqui no mundo. Como disse Jesus aos seus primeiros discípulos:

“Felizes são os olhos que veem o que vocês veem. Pois eu lhes digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vocês estão vendo, mas não viram; e ouvir o que vocês estão ouvindo, mas não ouviram” (Lc 10.23-24 – NTLH).


SUBSÍDIO

PARÁBOLA - CONCEITO
Parábola, no hebraico mashal, dependendo do contexto, refere-se a um dito profético, um provérbio, uma analogia, um enigma, um discurso, um poema, um conto, um símile. Essa palavra ocorre aproximadamente quarenta vezes no Antigo Testamento, sendo normalmente traduzida como “provérbio”.

A palavra grega traduzida como parábola, em o Novo Testamento, é parabolé, “por ao lado de”, com o sentido de “comparar” como ilustração de alguma verdade ou ensino. Nesse sentido, torna-se um instrumento didático. Ela é usada cinquenta vezes no Novo Testamento, sendo duas para indicar uma fala figurativa (Hb 9.9; 11.19) e quarenta e oito vezes traduzida no singular ou no plural, sempre se referindo às histórias de Jesus. Em síntese, parábola significa, literalmente, “comparação”, e como tal, comumente utilizada para indicar uma história breve, um exemplo esclarecedor para ilustrar uma verdade.

SUBSÍDIO ETIMOLÓGICO

“Entre as formas literárias encontradas na Bíblia, a mais conhecida, talvez, seja a parábola. O fato é especialmente verdade em se tratando das parábolas de Jesus, tais como a do bom samaritano, do filho pródigo, das dez virgens e do semeador. Porém, definir exatamente o que é uma parábola no Antigo Testamento [mashal] ou no Novo (parabole) é difícil. Em ambos os casos, os termos podem referir-se a um provérbio (1Sm 24.13; Ez 18.2,3; Lc 4.23; 6.39); uma sátira (Sl 44.11; 69.11; Is 14.3,4; Hc 2.4); uma charada (Sl 49.4; 78.2; Pv 1.6); um dito simbólico (Mc 7.14,17; Lc 5.36,38); um símile extensa ou similitude (Mt 13.33; Mc 4.30,32; Lc 15.8-10); uma parábola histórica (Mt 25.1-13; Lc 14.16,24; 15.11-32; 16.1-8); um exemplo de parábola (Mt 18.23-25; Lc 10.29-37; 12.16-21; 16.19-31); e, até mesmo, uma alegoria (Jz 9.7-20; Ez 16.1-5; 17.2-10; 20.49—21.5; Mc 4.3-9,13-20; 12.1-11). Esses dois termos bíblicos possuem vasta extensão de significados, mas o sentido básico de cada um é a comparação entre duas coisas diferentes. Algo parecido com algo que não é” (STEIN, Robert H. Guia Básico de Interpretação da Bíblia. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1999, p.143).

SUBSÍDIO HERMENÊUTICO

“Parábola, do grego parabolé, significa ‘colocar ao lado de’, e leva a ideia de colocar uma coisa ao lado de outra com o objetivo de comparar. A parábola envolve uma contradição aparente apresentada em forma de narração, relatando fatos naturais ou acontecimentos possíveis, sempre com objetivo de declarar ou ilustrar uma ou várias verdades importantes” (BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica Fácil e Descomplicada. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2003, p.321).

1 BUENO, Silveira. Minidicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: FTD, 1996. p. 429.
2 SENIOR, Augusto. O que é interpretação textual. Disponível em Acesso em 17 de Jan. de 2018.
3 FEE, Gordon D. STUART, Douglas. Entendes o que lês? Um guia para entender a Bíblia com o auxílio da exegese e da hermenêutica. São Paulo: Vida Nova,1984. p. 139.1
6  OLIVEIRA, Moisés C. Como os métodos afetam a interpretação do texto.  Disponível em Acesso em 17 de Jan. de 2018.
7  Ibidem.
8  SANTOS, Marcos A. A importância do estudo da hermenêutica para a igreja de hoje. Disponível em Acesso em 19 de Jan. de 2018.
9  OLIVEIRA, Raimundo F. Princípios de Hermenêutica: Estudo e Compreensão da Bíblia. 4. ed. Campinas: EETAD, 2001. p. 65.
10 Adaptado de OLIVEIRA, Raimundo F. Princípios de Hermenêutica: Estudo e Compreensão da Bíblia. 4. ed. Campinas: EETAD, 2001. p. 63-76.
11 Adaptado do texto “Gêneros literários: tipos e características” do portal Norma Culta – Língua portuguesa em bom português” disponível em Acesso em 19 de Dez. de 2017.
14 HENDRICKS, Howard G.; HENDRICKS, William D. Vivendo na Palavra – A arte e a ciência da leitura da Bíblia. São Paulo: Editora Batista Regular, 2010.
15 BUENO, Silveira. Minidicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: FTD, 1996. p. 482.
16 CHAMPLIN, Russell N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol. 5. São Paulo: Hagnos, 2013. p. 57.
17 CHAMPLIN, Russell N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol. 5. São Paulo: Hagnos, 2013. p. 57.
18 Ibidem.
19 COPE apud MANSON, T. W. O Ensino de Jesus. São Paulo: ASTE, 1965. p. 74.
20 TENNEY, Merrill C. Enciclopédia da Bíblia – Cultura Cristã. Vol. 4. São Paulo: Cultura Cristã, 2008. p. 774.
21 SALMOND, Charles apud LOCKYER, Herbert. Todas as parábolas da Bíblia - Uma análise detalhada de todas as parábolas das Escrituras. São Paulo: Editora Vida, 2006. p. 8.
22 MANSON, T. W. O Ensino de Jesus. São Paulo: ASTE, 1965. p. 79.
23 MANSON, T. W. O Ensino de Jesus. São Paulo: ASTE, 1965. p. 81.
24 Quadro adaptado do texto da obra de LOCKYER, Herbert. Todas as parábolas da Bíblia - Uma análise detalhada de todas as parábolas das Escrituras. São Paulo: Editora Vida, 2006.
25 SCHOTTROFF, Luise. As parábolas de Jesus: uma nova hermenêutica. Trad. Nélio Scneider. São Leopoldo: Sinodal, 2007. p. 130.
26 Ibidem. p. 129.
27 SNODGRASS, Klyne. Compreendendo todas as parábolas de Jesus. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010. p. 53-54. 28 Ibidem. 29 Ibidem. p. 54.

Fonte:
Livro de Apoio – As Parábolas de Jesus - As verdades e princípios divinos para uma vida abundante - Wagner Tadeu dos Santos Gaby e Eliel dos Santos Gaby
Lições Bíblicas 4º Trim.2018 - As Parábolas de Jesus - As verdades e princípios divinos para uma vida abundante - Comentarista: Wagner Tadeu dos Santos Gaby
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